Primeiramente, é preciso derrubar um mito perigoso: aquele comprimido inofensivo na sua gaveta pode ser uma sentença de morte para cães e gatos. De fato, a automedicação animal figura entre as principais causas de emergências veterinárias no Brasil, segundo especialistas da área.
A veterinária Aline Ambrogi, mestre em Ciência Animal e docente da UniFAJ, alerta que muitos tutores assumem erroneamente que medicamentos humanos seguros para pessoas também servem para pets. Consequentemente, animais chegam às clínicas em estado crítico por substâncias aparentemente banais.
O organismo animal processa fármacos de outro modo
Em outras palavras, o fígado e os rins de cães e gatos funcionam de maneira completamente distinta dos nossos. Dessa forma, princípios ativos comuns se transformam em veneno dentro do corpo animal. Os felinos, por exemplo, possuem limitações hepáticas severas que os tornam extremamente vulneráveis.
Paracetamol e ibuprofeno lideram intoxicações
Sem dúvida, analgésicos e anti-inflamatórios são os maiores vilões. O paracetamol é altamente tóxico para gatos, causando lesões hepáticas fatais mesmo em doses mínimas. Por outro lado, ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno provocam úlceras gastrointestinais e insuficiência renal aguda em ambas as espécies.
Antidepressivos e outros remédios também matam
Além disso, fármacos para pressão arterial, hormônios e descongestionantes nasais representam risco significativo. Nesse sentido, até comprimidos que caem no chão acidentalmente podem desencadear quadros gravíssimos de convulsões e alterações cardíacas nos animais.
Reconheça os sinais antes que seja tarde demais
Certamente, identificar os sintomas rapidamente salva vidas. Vômitos, salivação excessiva, tremores, apatia e dificuldade respiratória exigem atendimento imediato. Em gatos, assim sendo, mucosas amareladas e inchaço nas patas indicam comprometimento hepático grave.
Prevenção simples evita tragédias irreversíveis
Portanto, a regra é clara: nunca ofereça medicamentos humanos ao seu pet sem prescrição veterinária. Armazene todos os fármacos em armários fechados e inacessíveis. Finalmente, diante de qualquer sintoma, procure um profissional — a automedicação mascara diagnósticos e pode transformar um problema simples em uma emergência fatal.
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