Um esquema milionário de desvio de recursos públicos foi desarticulado nesta quinta-feira (9) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, expondo uma rede criminosa instalada dentro de uma autarquia estadual. Ao todo, R$ 86,3 milhões teriam sido desviados do IRM (Instituto Rio Metrópole), órgão responsável por políticas metropolitanas que afetam 22 municípios fluminenses.
A operação resultou na prisão de cinco pessoas, entre elas nomes que deveriam justamente garantir a lisura da administração pública. Certamente, o caso choca pela natureza dos envolvidos: um delegado da Polícia Civil, um procurador do Estado e o próprio presidente da autarquia estão entre os detidos.
Quem são os presos e qual o papel de cada um
Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, presidia o IRM e é apontado como chefe do núcleo de servidores do esquema. Consequentemente, era ele quem autorizava contratações, assinava contratos e controlava os pagamentos. Além disso, o delegado Franquis Dias Nepomuceno, diretor da autarquia, é investigado como ordenador de despesas e controlador de fato de uma empresa envolvida.
Por outro lado, o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva chefiava a Procuradoria-Geral do IRM e, segundo a denúncia, emitia os pareceres jurídicos que sustentavam juridicamente o esquema. Dessa forma, o grupo teria construído uma estrutura interna sólida para blindar os desvios.
Como o dinheiro público desaparecia na prática
A investigação aponta que contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026 foram utilizados como fachada. Nesse sentido, os valores pagos a duas empresas contratadas eram repassados ao Instituto Bio (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo os promotores, não possuía estrutura operacional compatível com os montantes recebidos.
Em outras palavras, o dinheiro percorria um caminho artificial até ser sacado em espécie. Além disso, Caroline Soares Barros, fiscal de contratos do IRM, presidia o próprio Instituto Bio, o que reforça, de acordo com a Promotoria, o caráter de organização criminosa do grupo.
Conexões políticas ampliam o escândalo
O caso ainda envolve parentesco com figuras da política estadual. Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento do IRM e considerado foragido, é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL). Amanda Íthala Santos da Paschoa, cunhada do mesmo parlamentar, também foi denunciada. Contudo, o deputado não está entre os alvos da operação.
Finalmente, a Polícia Civil informou que instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar a conduta do delegado preso, afirmando que “não compactua com qualquer desvio de conduta”. Assim sendo, a sociedade fluminense aguarda respostas concretas sobre como um esquema desta magnitude operou por anos dentro de uma instituição pública.
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