O Demônio do Tempo.

 

Existe no ser humano uma habilidade natural de externar os seus defeitos, ou seja, arrumar alguma desculpa para que possamos culpar algo externo por alguma dificuldade ou problema que é simplesmente interior. Na maioria das vezes é mais fácil encontrar esses culpados em pessoas reais; um amigo, companheiro, colega de trabalho. Porém nem sempre é possível encontrar um herdeiro para nossas falhas somos obrigados a criá-los e aí nasce o demônio do tempo.

Hoje somos bombardeados de informações inúteis ou no mínimo superficiais, mas que tem uma coisa em comum: uma facilidade enorme de prender nossa atenção. Quantas vezes aquela olhadinha no celular virou minutos ou até horas? Quantas páginas de simples entretenimento sem conteúdo real seguimos? Quantas vezes atrasamos para cumprir algo proposto ou gastamos demasiado tempo para realizar tarefas simples que poderíamos fazer um tempo muito menor? Quais atividades tenho prorrogado seu início sem ter um real motivo que impeça ou algo que realmente ocupe meu tempo não permitindo sua execução?

Não! Não é nenhum demônio do tempo ou algo do tipo que acelera nosso relógio ou come uma parte do nosso dia. Esse defeito ou podemos chamar realmente de vício se já está mais impregnado no nosso cotidiano tem um nome, procrastinação, se olharmos no dicionário procrastinar significa; deixar para depois, atrasar, prolongar a execução de algo. Mas o maior problema desse vício não é o que deixo de fazer, e sim o nada que eu faço no tempo perdido, desde que não seja seu trabalho ou algo de realmente importância podemos transferir datas e encaixar as prioridades, e isso não é procrastinar. O que não podemos de maneira alguma é jogar tempo fora, pois com certeza alguém estará aproveitando de maneira melhor e crescendo mais. Prefiro pensar que com certeza alguém está procrastinando enquanto estudo e cresço e me coloco um passo a frente daquela pessoa.

Uma coisa é certa, o melhor exorcista para esse demônio é a rotina, construir uma agenda e colocar ali seus compromissos e metas, anotar as falhas logo que percebido e se propor a não cometer novamente. Devemos fazer uma limpa em nossas redes, o lazer é digno porém com horário e limites, não preciso seguir vinte páginas de humor, trinta de futebol e por aí vai. Uma última dica é de não ser como o beija flor que passa por centenas de flores em um dia, um pouco dessa, outro daquela, e logo passo para a próxima. Temos que ter disciplina e profundidade sobre aquilo que decidi estudar ou fazer. Melhor ser referência em uma coisa do que saber pouco de muitas.

 

Sobre Carlos Bruschi

Filósofo Licenciado Pós Graduado em Direitos Humanos e Política Étnico-Raciais.

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