Documento apresenta parâmetro para que gestores levem Internet adequada às escolas públicas

            Dados do Medidor Educação Conectada mostram que a média nacional de velocidade de download por aluno no turno com maior número de estudantes é de apenas 0.39 Mbps.
Qual a velocidade de banda larga ideal para garantir a realização de atividades pedagógicas nas escolas? Não raras vezes, gestores públicos educacionais se veem às voltas com essa questão. Para ajudá-los a ter uma resposta clara e direta, o Grupo Interinstitucional de Conectividade na Educação (GICE), formado por mais de 20 de instituições entre órgãos governamentais, operadoras, associação de provedores, empresas de tecnologia e organizações do terceiro setor, elaborou a nota técnica “Qual a velocidade de Internet ideal para minha escola?”.

Lançado nesta quinta-feira (30), o documento teve a produção capitaneada pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), pelo Grupo de Mulheres do Brasil (GMB) e pela Organização sem fins lucrativos MegaEdu.

“Nosso objetivo com a nota técnica é orientar os gestores sobre o que levar em conta na hora da contratação de um plano de Internet. Com isso, eles darão condições para que os professores consigam utilizar as tecnologias em atividades de ensino e aprendizagem de maneira adequada, contando com uma boa conexão para isso”, destaca Milton Kashiwakura, diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br.

Ele explica que o Guia de Conectividade na Educação, divulgado pelo GICE em setembro de 2021, apresenta uma fórmula para estipular qual a velocidade ideal de conexão, considerando variáveis como a quantidade de estudantes conectados simultaneamente, os usos pedagógicos dessa Internet e o número de alunos no maior turno. Com base na fórmula, o gestor consegue traçar valores específicos de cada uma dessas variáveis para entender a velocidade mínima a ser contratada.

Para tornar esse processo ainda mais prático, a nota lançada hoje apresenta um parâmetro de velocidade simples de ser assimilado, que ajudará a embasar os investimentos em conectividade nas escolas. “Entendemos que a velocidade mínima de conexão necessária é de 1 Mbps por estudante, levando em conta o maior turno”, afirma Paulo Kuester Neto, analista de projetos do NIC.br e um dos especialistas responsáveis pela elaboração do documento.

“Decidimos simplificar o processo de tomada de decisão dos gestores, definindo essa referência de 1 Mbps, que é capaz de viabilizar a maior parte das atividades escolares, como aquelas que envolvem áudio, vídeo, download, jogos e uso geral”, destaca Raquel Costa, do CIEB.

Atualmente, a média nacional de velocidade de download por aluno no turno com maior número de estudantes é de apenas 0.39 Mbps, conforme dados do Medidor Educação Conectada. Desenvolvido pelo NIC.br para o Ministério da Educação com o objetivo de monitorar a velocidade e a qualidade da Internet entregue na rede pública de ensino básico, esse software gratuito foi instalado em cerca de 49,2 mil das 138,8 mil escolas públicas em atividade em 2021 – aproximadamente 41 mil registraram velocidade na ferramenta nos últimos 6 meses.

“Metade das escolas públicas possuem até 118 estudantes no maior turno, o que significa que contratar um plano de 100 Mbps é suficiente para atender ao parâmetro de 1 Mbps por estudante no maior turno. No extremo oposto, apenas 10% das escolas contam com mais de 400 estudantes no maior turno e, portanto, necessitam contratar um plano de 400 Mbps ou superior, para garantir a recomendação de velocidade proposta”, complementa Cristieni Castilhos, CEO da MegaEdu, citando informações disponibilizadas na nota.

“Não basta ter Internet. É preciso ter uma conectividade capaz de garantir que docentes consigam utilizar a Internet da escola para os processos de ensino, que a gestão escolar consiga estruturar os processos administrativos da escola com o uso de tecnologia, e que os estudantes utilizem essa Internet em diferentes formas de aprendizagem, desde pesquisas simples até atividades mais estruturadas em ambientes virtuais de aprendizagem”, finaliza Marise De Luca, do GMB.

São parceiras na elaboração da nota técnica “Qual a velocidade de Internet Ideal para minha escola?”: Intelbras, Sincroniza Educação, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Consórcio de Inovação na Gestão Pública (CIGA), Instituto Cordial, Instituto Articule, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Fundação Lemann.

O documento está disponível na íntegra em: Link. Para rever o evento de lançamento da publicação, acesse: Link.

Desigualdades de acesso

Tão importante quanto discutir a questão da velocidade de conexão é conhecer a realidade do acesso à Internet nas escolas públicas brasileiras. A conectividade nesse contexto avançou ao longo dos anos, mas as desigualdades ainda são marcantes. Essa é uma das conclusões de análise inédita produzida pelo NIC.br e pela MegaEdu com base no Censo Escolar 2021 – levantamento estatístico da educação básica no Brasil, coordenado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O documento mostra que, em 2011, apenas 44% das escolas públicas estavam conectadas à rede, e uma década depois, essa porcentagem saltou para cerca de 78%. Apesar do aumento, em 2021, somente 49% afirmaram possuir Internet para uso nos processos de ensino e aprendizagem (e não somente para fins administrativos). Outro ponto destacado é que as escolas com Internet não estão distribuídas de maneira uniforme no território brasileiro.

“Enquanto nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, mais de 90% das escolas públicas declararam ter acesso à Internet, esse percentual cai consideravelmente nas regiões Nordeste (70%), e Norte (45%)”, explicita o documento.

As desigualdades são especialmente evidentes quando comparadas as realidades das escolas urbanas e rurais. “Enquanto 95% das escolas públicas urbanas brasileiras reportaram ter acesso à Internet, no caso das escolas rurais, esse percentual é de apenas 51%. Essa mesma disparidade também pode ser vista quando olhamos a realidade de cada estado individualmente. Porém, vale ressaltar que, mesmo diante da discrepância apresentada, alguns estados da região norte do país têm percentuais de acesso à internet tão bons quanto o que verificamos em estados da região sudeste. É o caso da rede estadual urbana de Rondônia e de Tocantins, ambos com 100%”, explica Cristiane Millan, analista de projetos do NIC.br e autora da análise.

O documento enfatiza também que é possível “verificar diferenças entre as dependências administrativas, sendo que o percentual de escolas conectadas é maior entre aquelas das redes estaduais se comparadas às das redes municipais” e que apenas 2% das instituições da rede privada não contam com acesso à rede. Por fim, defende a “urgência de um processo de universalização, que possibilite que todos os estudantes tenham acesso à Internet e às oportunidades que a mesma proporciona”.

Para conferir essa análise completa, acesse: Link.

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br

O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (Link) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio.br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provem de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (Link), CERT.br (Link), Ceptro.br (Link), Cetic.br (Link), IX.br (Link) e Ceweb.br (Link), além de projetos como Internetsegura.br (Link) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (Link). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (Link).

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br

O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (Link). Mais informações em Link.

Sobre o CIEB

O Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) é uma associação sem fins lucrativos, criada em 2016, para promover a cultura de inovação na educação pública brasileira. Para isso, a organização apoia a formulação de políticas públicas, desenvolve conceitos e ferramentas, e integra múltiplos atores e diferentes ideias em torno de uma causa comum: inovar para impulsionar a qualidade, a equidade e a contemporaneidade da educação pública brasileira. Mais informações: Link.

Sobre a MegaEdu

A MegaEdu é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para levar internet de qualidade para todas as escolas públicas do Brasil. A organização produz dados e estudos, desenvolve soluções e dá apoio técnico para gestores públicos com a finalidade de viabilizar o acesso ao mundo digital para todos os alunos.

 

fonte: Weber Shandwick

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