O livro infantil sobre candomblé Quem é Onira? Atividades para conhecer o candomblé, escrito pela Yalorisà e Mestra da Cultura popular Mãe Rodilene de Oyá, foi lançado no Ilê Asè Oyá Onira, casa de candomblé e centro cultural do bairro Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim. A programação começou às 15h30 do dia 19 de outubro e a entrada foi gratuita.
O lançamento já aconteceu. O anúncio da tarde cultural foi divulgado em setembro de 2024 e o evento estava marcado para 19 de outubro daquele ano. O material que o anunciou não menciona novas sessões nem indica onde o livro pode ser obtido depois daquela tarde: quem procura um exemplar hoje não encontra ali um caminho para isso.
O que traz o livro infantil sobre candomblé
A obra é voltada a crianças e adolescentes e conta a história de Oyá Onira, orixá cultuada no rito do candomblé ketu e patrona do Ilê. Além do texto, reúne atividades para colorir, caça-palavras e um minidicionário em iorubá.
Todas as crianças presentes ao lançamento receberam um kit com um exemplar do livro e giz de cera para colorir.
O material de divulgação usa os termos da própria tradição — Yalorisà, orixá, ketu, Ilê — sem defini-los, e não traz glossário além do minidicionário em iorubá que o livro reúne. Também não informa tiragem, número de páginas, editora nem preço.
A autora e o reconhecimento que ela tem no município
Mãe Rodilene de Oyá é Yalorisà e Mestra da Cultura popular. Em Cachoeiro de Itapemirim, é reconhecida como patrimônio vivo por meio da Lei Mestre João Inácio. O material não detalha o que essa lei estabelece, desde quando vale, que critérios usa nem quantas pessoas já foram reconhecidas por ela.
A autora aponta o enfrentamento ao racismo cultural e religioso como um dos motivos que a levaram a escrever.
São muitos os episódios em que iniciados do candomblé, principalmente as crianças, figuram como vítimas de racismo cultural e religioso. Precisamos furar a bolha do preconceito e mostrar que a cultura de matriz africana é rica em saberes e tradições
A declaração é da Yalorisà Mãe Rodilene de Oyá, autora do livro.
De onde veio o recurso e para onde vão os exemplares
O livro é um dos produtos do projeto Quem é Onira, aprovado em edital do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult). Isso quer dizer que a produção foi bancada por recurso público estadual, disputado e selecionado por edital — e não pela venda dos exemplares. O valor aprovado não aparece no material.
A produção cultural do projeto ficou a cargo da Projeta Assessoria Sociocultural e Ambiental. Angélica Volpato, responsável pela empresa, associa a ação à desconstrução do preconceito dirigido aos Povos e Comunidades Tradicionais.
O projeto vai destinar exemplares do livro gratuitamente para o município, sendo entregues à secretarias municipais de Educação e de Cultura e Turismo. Essa entrega foi pensada justamente para colaborar na aplicação da Lei 10.639/2013 e auxiliar no enfrentamento à violência, ao preconceito e à intolerância
A avaliação é de Angélica Volpato, responsável pela Projeta Assessoria Sociocultural e Ambiental. A lei que ela cita aparece no material como Lei 10.639/2013, e o texto não descreve o que ela determina.
A destinação gratuita coloca o livro no circuito escolar da cidade, o mesmo terreno de outras ações com estudantes em Cachoeiro de Itapemirim, como a entrega das medalhas da OBMEP na regional da cidade — episódio independente deste, e por outra via institucional.
O que o material não informa
O anúncio responde onde e quando, mas deixa de fora quase tudo o que um leitor precisaria para chegar ao livro. Não constam:
- quanto o projeto recebeu no edital do Funcultura;
- a tiragem e quantos exemplares cabem a cada secretaria;
- em que data a entrega às secretarias municipais seria feita;
- se o livro também é vendido, onde encontrá-lo fora do lançamento e se existe versão digital;
- editora, número de páginas e registro da obra;
- se haveria novas sessões de lançamento ou atividades com o livro nas escolas;
- um telefone, um e-mail ou um endereço na internet do projeto para quem quiser um exemplar.
O texto de origem é material oficial e traz apenas a voz de quem realiza o projeto: a autora e a produção cultural. Não há nele manifestação das secretarias municipais de Educação e de Cultura e Turismo sobre o recebimento dos exemplares, nem prazo assumido por elas. A ausência de outra voz no material não é sinal de consenso — é só ausência.
Serviço: endereço e como foi a tarde de lançamento
O Ilê Asè Oyá Onira fica na Avenida Governador Carlos Lindemberg, 562, bairro Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim.
O lançamento aconteceu durante uma tarde cultural, a partir das 15h30, com café, pipoca, algodão-doce, pula-pula, piscina de bolinha e contação de história. A entrada foi gratuita e o anúncio não mencionava inscrição prévia.
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