Operação em Sooretama e Linhares prende dois suspeitos

Duas pessoas foram presas na madrugada de quarta-feira (14) durante uma operação policial em Sooretama e Linhares. As equipes eram da 16ª Delegacia Regional de Linhares e da Delegacia de Polícia de Sooretama, e saíram para cumprir mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão em endereços dos dois municípios, informou a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES).

As duas prisões decorrem de mandados judiciais, não de condenação definitiva — e não se trata do mesmo caso. Cada suspeito foi preso em um município, por um mandado próprio, referente a fatos apurados em lugares distintos. Um deles é apontado pela corporação como alvo de mandado ligado a Sooretama; o outro foi preso em Linhares por um mandado expedido a partir de um caso ocorrido em Minas Gerais.

Operação policial em Sooretama e Linhares: o que houve em cada cidade

A primeira etapa foi em Sooretama. As equipes deixaram a sede da 16ª Delegacia Regional de Linhares ainda de madrugada e chegaram ao bairro Sayonara, onde cercaram um dos alvos e se identificaram, segundo o relato da corporação. O suspeito ainda subiu no telhado do imóvel para escapar, mas acabou alcançado e detido ali mesmo.

A revista com o detido e no interior da casa reuniu, conforme a lista divulgada pela PCES:

  • um revólver calibre .38, com numeração raspada, que estava com o suspeito;
  • um rifle calibre .22;
  • munições intactas e deflagradas;
  • luneta para disparos a longa distância;
  • touca tipo balaclava;
  • capa de colete balístico;
  • entorpecentes, descritos pela corporação apenas como uma quantidade significativa, sem peso nem tipo informados.

O motivo do mandado é atribuído no comunicado ao delegado Fabrício Lucindo, titular da Delegacia Regional de Linhares: havia ordem de prisão em aberto contra o detido por envolvimento em confrontos armados entre grupos criminosos em Sooretama, e ele responde ainda por tráfico de entorpecentes e porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida. São imputações em apuração: responder por um crime é estar sujeito a um processo, e não ter sido julgado por ele.

Em Linhares, um mandado que veio de outro estado

Depois de Sooretama, os policiais seguiram para uma propriedade rural na região de Bebedouro, em Linhares. Ali cumpriram o segundo mandado de prisão, contra um suspeito de 52 anos, procurado por homicídio qualificado. O crime que originou a ordem judicial, porém, não ocorreu no Espírito Santo: aconteceu em Manhumirim, em Minas Gerais. São três lugares que não se confundem — onde a pessoa foi encontrada, onde o fato teria ocorrido e de onde partiu a decisão da Justiça.

Sobre esse segundo caso, o comunicado traz uma única fala:

“Durante o interrogatório, o investigado alegou ter se envolvido em uma confusão e efetuado disparos contra a vítima durante um desentendimento envolvendo terceiro”

A declaração é do delegado Fabrício Lucindo. O que ela registra é a versão apresentada pelo próprio investigado em interrogatório, e não um fato confirmado nem uma decisão judicial. O material divulgado não traz manifestação de defesa de nenhum dos dois presos — como é comum em comunicado de órgão policial, há um lado só, e a ausência de contestação no texto não significa que ela não exista.

Os dois foram levados à 16ª Delegacia Regional de Linhares e, cumpridos os trâmites, encaminhados ao sistema prisional, onde seguem à disposição da Justiça, de acordo com a PCES.

O que significam os termos usados no comunicado

  • Mandado de prisão em aberto: ordem judicial já expedida que ainda não havia sido cumprida. Ela vale em todo o território nacional, e é por isso que uma ordem originada de um caso apurado em Minas Gerais pode ser cumprida por policiais do Espírito Santo numa área rural de Linhares.
  • Mandado de busca e apreensão: autorização da Justiça para entrar em endereço determinado e recolher o que interessar à apuração. É o instrumento que ampara a lista de itens acima.
  • Homicídio qualificado: modalidade mais grave do homicídio, reservada a situações em que a lei reconhece circunstância agravante. O comunicado não detalha qual qualificadora consta do mandado.
  • Numeração suprimida ou raspada: arma cuja identificação de fábrica foi apagada, o que dificulta rastrear origem e passagem por registros.

O que a Polícia Civil não informou

A leitura do material deixa lacunas relevantes para quem mora nos dois municípios:

  • a idade do suspeito preso em Sooretama, informada apenas para o segundo detido;
  • a quantidade, o peso e o tipo das drogas apreendidas;
  • quantas munições foram recolhidas;
  • quando teriam ocorrido os confrontos armados citados como motivo do primeiro mandado;
  • a data do homicídio apurado em Manhumirim;
  • se houve alguma apreensão na propriedade rural de Bebedouro — todos os itens listados aparecem vinculados à casa do bairro Sayonara;
  • se os dois casos têm qualquer relação entre si, além de os dois mandados terem sido cumpridos na mesma saída de equipes;
  • quantos mandados a operação tinha ao todo e quantos ficaram sem cumprir.

Ações desse tipo reunindo os dois municípios não são novidade na região: em dezembro de 2024 houve outra operação conjunta nos mesmos dois municípios, episódio distinto, com oito pessoas detidas. São pessoas e investigações diferentes, sem ligação declarada com o caso de agora.

Como levar uma informação à polícia

Quem tiver informação sobre pessoa procurada, arma ou tráfico pode acionar o Disque-Denúncia 181, canal em que não é preciso se identificar. Em situação de emergência ou crime em andamento, o número é o 190.

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