A Polícia Civil do Espírito Santo comemorou nesta quarta-feira (22), pela primeira vez, o Dia do Oficial Investigador de Polícia. A data foi instituída pela Lei nº 12.452/2024 e passa a ser celebrada anualmente em 22 de outubro.
Três cargos viraram um
O cargo de OIP foi criado pela Lei Complementar nº 1.093, de 21 de outubro de 2024, unificando as funções antes exercidas por investigador de polícia, escrivão e agente de polícia.
Na prática antiga, a divisão criava dependência: o escrivão lavrava o ato, o investigador apurava, o agente executava. Unificar significa que o mesmo profissional acompanha o caso de ponta a ponta, o que reduz o repasse de informação entre funções — a etapa em que detalhe se perde.
Hoje são 1.485 oficiais investigadores em atividade, e há concurso aberto para 1.052 novas vagas.
O que um OIP faz
As atribuições vão de investigação criminal, coleta de evidências e entrevistas com testemunhas e suspeitos até operações policiais, cumprimento de ordens judiciais e elaboração de relatórios. Também atuam em análise de dados, inteligência, vigilância, infiltração, escolta de presos e proteção de testemunhas.
Fora da operação, há OIPs em assessoria especial, relações institucionais, administração e finanças, corregedoria, Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT), departamentos e gabinetes.
O plantão que não fecha
Nas delegacias regionais, os oficiais investigadores sustentam o atendimento ininterrupto. É quem recebe vítima, advogado, conduzido e policial de outras forças, a qualquer hora.
A OIP Ana Maria Vargas Correia ingressou na PCES em 1998, passou quatro anos na Delegacia da Mulher e está há 15 anos na 4ª Delegacia Regional de Cariacica.
“Todos os dias aprendemos algo novo. O volume de trabalho é grande, e lidamos com pessoas em diferentes situações, muitas vezes fragilizadas. É importante saber ouvir e acolher, porque algumas delas só querem ser escutadas”
Ela lembra um episódio do plantão noturno.
“Era por volta das quatro da manhã, fazia muito calor, e o plantão estava tranquilo. Estávamos na parte externa da Delegacia quando uma jovem, em situação de vulnerabilidade, se aproximou. Ela segurava a barriga e, a poucos metros de nós, entrou em trabalho de parto e deu à luz. Corremos para ajudar, chamamos o SAMU e, em poucos minutos, a equipe chegou. Foi uma experiência única, que jamais esquecerei”
A frente de inteligência
Há também OIPs especializados em investigação e inteligência. No Gabinete do Delegado-Geral, o trabalho envolve ferramentas como o Cerco Inteligente e o Sistema de Reconhecimento Facial. Um dos casos citados é a prisão, em maio, do autor de um estupro ocorrido em Vila Velha, identificado por essas tecnologias.
“Tecnologia não substitui o policial, mas potencializa sua atuação. Quando bem aplicada, encurta caminhos, qualifica provas e salva vidas”
O que o delegado-geral disse
“Os oficiais investigadores de polícia carregam nos ombros a responsabilidade de buscar a verdade e de fazer a diferença na vida das pessoas. A Polícia Civil vive um momento de crescimento, com investimentos do Governo do Estado e o reforço de mais 1.052 novos oficiais investigadores que, em breve, integrarão o quadro da instituição”
A avaliação é do delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda. Com o concurso em andamento, o efetivo de OIPs pode passar de 1.485 para mais de 2.500 — quase o dobro.
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