iFood compra a Advolve, startup de IA para publicidade

O iFood comprou a Advolve, startup paulistana especializada em inteligência artificial aplicada a marketing de performance. O valor da operação não foi divulgado. Na prática, o aplicativo conhecido por entregar comida passa a ter dentro de casa a tecnologia que monta, testa e redistribui campanhas publicitárias sozinha.

A compra mexe com os dois lados do aplicativo: a marca que paga para aparecer e o consumidor que abre o app para pedir. Para o anunciante, muda a forma como a campanha é montada e medida. Para quem pede, o anúncio da operação não informa mudança nenhuma — e é justamente aí que ficam as lacunas.

O que a Advolve faz, sem jargão

Fundada em 2023, a Advolve automatiza campanhas digitais do começo ao fim: cria as peças — textos, imagens e vídeos — e ajusta o dinheiro investido enquanto a campanha ainda está no ar. Em vez de um anúncio único, o sistema põe centenas de versões rodando ao mesmo tempo, mede qual vende mais e desloca o orçamento para ela sem que alguém refaça a conta a cada dia.

É esse funcionamento que explica o termo marketing de performance: o anunciante não paga para aparecer e torcer, e sim para obter uma ação medida — clique, cadastro, pedido. A conta de sucesso deixa de ser quantas pessoas viram e passa a ser quantas compraram.

A startup foi uma das 10 escolhidas pelo Google for Startups AI Academy e depois recebeu investimento da Prosus Ventures, braço global da holding que também controla o iFood. Ou seja, comprador e comprada já tinham um investidor em comum antes do negócio.

Quatro vezes o valor investido nos testes

Antes de fechar a compra, o iFood usou a tecnologia da Advolve em campanhas-piloto. O retorno em vendas foi quatro vezes maior que o valor investido nessas campanhas. Foi esse resultado que levou o teste a virar aquisição.

A Advolve chega para potencializar a frente de Ads com IA em toda a jornada de uma campanha. As duas empresas compartilham a mesma essência: tecnologia e inteligência como motor de crescimento.

A avaliação é de Sam James, VP de Ads do iFood.

Vale um alerta de leitura: o retorno de quatro vezes saiu de campanhas-piloto medidas dentro do próprio aplicativo e divulgadas pela empresa que comprou a tecnologia. O material não diz quantas campanhas foram testadas, por quanto tempo nem em quais categorias. O número descreve o teste — não é garantia de repetição para qualquer anunciante.

Circuito fechado: por que o app mede melhor que a internet aberta

O centro da estratégia é o que o setor chama de closed loop, ou circuito fechado. Na publicidade espalhada pela internet, o anúncio aparece num lugar e a compra acontece em outro, o que torna difícil provar que um levou ao outro. Dentro de um aplicativo de pedidos, as duas pontas ficam no mesmo ambiente: a exibição do anúncio, o clique e o pedido concluído são registrados pelo mesmo sistema.

O anunciante passa a ver o efeito de cada peça sem depender de estimativa, e o sistema reajusta a segmentação a cada clique e a cada compra. A escala pesa: o iFood informa 120 milhões de pedidos por mês, 60 milhões de clientes e mais de 400 mil restaurantes parceiros. A frente de anúncios existe desde 2021, e a meta é multiplicar por cinco essa operação até 2030.

Dados e privacidade: o que está dito e o que não está

O material trata o histórico de consumo dentro do aplicativo como insumo do sistema de anúncios — é o que significa dizer que cada clique e cada pedido alimentam a segmentação. Até aí, é o que a empresa afirma.

O que não é dito merece ficar registrado, sem alarde e sem promessa: o material não informa quais dados são usados, se circulam de forma agregada ou individualizada, se são compartilhados com as marcas anunciantes ou apenas processados internamente, nem se o usuário ganha algum controle novo nas configurações. Também não menciona avaliação de órgão regulador. O documento que vincula a empresa hoje é a política de privacidade do próprio aplicativo.

Quem continua no comando

Os fundadores da Advolve — João Sobreira, João Paulo Martins e Djary Veiga — seguem à frente da operação, que continuará atendendo clientes de fora do iFood, especialmente da indústria de bens de consumo. Ou seja, a empresa comprada não será absorvida a ponto de deixar de vender para terceiros.

Com o iFood, somamos ainda mais tecnologia e uma audiência gigantesca. É uma fusão natural entre duas culturas guiadas por inovação.

A declaração é de João Sobreira, um dos fundadores da Advolve.

As perguntas que o anúncio deixa em aberto

Para quem depende do aplicativo como vitrine, do restaurante de bairro à marca nacional, quatro pontos seguem sem resposta:

  • Valor. Quanto o iFood pagou pela Advolve não foi informado.
  • Prazo. Não há data para a tecnologia ficar disponível a todos os anunciantes, nem informação sobre integração por etapas.
  • Preço e acesso. Não se sabe se a automação será cobrada à parte, se entra no que já se paga hoje ou se haverá exigência de investimento mínimo — ponto decisivo para o pequeno anunciante.
  • Experiência de quem pede. Não há informação sobre mudança na tela do consumidor: se haverá mais anúncios ou se a identificação de conteúdo pago segue como está.

Enquanto essas respostas não vêm, o que está confirmado é o essencial: a compra foi fechada, o valor não foi revelado, a equipe da startup permanece e o aplicativo passa a operar anúncios com automação própria.

Leia também no Direto Notícias

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

jeito que o mundo

Jeito que o mundo busca no Google tem raízes brasileiras

Equipes brasileiras moldaram o Search Live do Google, recurso de busca por voz em tempo real lançado em 2025.