Estudo projeta mercado de pet food em US$ 227 bilhões em 2034

Um relatório de mercado projeta que o faturamento mundial com alimentos para animais de estimação passe de US$ 128,7 bilhões em 2024 para US$ 226,53 bilhões em 2034. O número é uma estimativa, não um resultado apurado, e tem dono: o levantamento Pet Food Market – Global Opportunity Analysis and Industry Forecast, 2025–2034, divulgado pela empresa de pesquisa de mercado Allied Market Research e analisado em reportagem de Lisa Cleaver para o portal Petfood Industry. Os dados chegaram ao leitor brasileiro em 22 de novembro de 2025, em texto assinado por Camila Santos na Revista Cães e Gatos, que arredonda a cifra do relatório para US$ 227 bilhões.

Projeção não é faturamento: o que o número quer dizer

O estudo trabalha com uma taxa composta de crescimento anual — o famoso CAGR — de 6,1% para a próxima década. Essa taxa não é dinheiro já registrado em caixa: é o ritmo médio que, repetido ano após ano, levaria o mercado do valor de 2024 ao valor projetado para 2034. Um único ano fraco ou forte não aparece nela, porque o cálculo distribui a variação pelo período inteiro.

Vale ler a cifra com essa régua. Projeção é cenário construído sobre premissas de consumo, câmbio e oferta. Se qualquer premissa mudar, o número muda com ela — e projeções envelhecem: esta parte de uma base de 2024 e foi divulgada em novembro de 2025.

O material divulgado não detalha a metodologia. Não informa quais países entraram na conta, o que foi considerado alimento para pet, se produtos como petiscos e suplementos estão incluídos, nem qual a margem de erro ou o cenário alternativo. O leitor recebe o resultado, não o caminho até ele. Quem quiser a íntegra da análise precisa recorrer ao relatório original e à reportagem que o examinou.

Outro cuidado prático: os valores estão em dólares e assim devem ser lidos. Converter para reais uma projeção com horizonte de dez anos embute uma aposta sobre o câmbio de 2034, que ninguém conhece — a conta feita hoje já sai errada no mês seguinte.

Pet tratado como membro da família é o motor apontado

Segundo a análise, 95% dos tutores já consideram seus animais membros da família. É esse comportamento, e não uma novidade técnica, que o estudo aponta como principal empurrão do setor: a chamada humanização puxa a procura por alimentos orgânicos e por formulações específicas para raça, idade ou condição clínica.

Isso descreve o que o mercado está vendendo, não o que serve para o animal de cada leitor. Dieta de cão ou gato — inclusive a troca para linhas premium, naturais ou terapêuticas — é assunto de médico-veterinário, que examina o animal, conhece o histórico e ajusta a quantidade. Tendência de consumo não substitui consulta.

Ração seca lidera, e a procura por úmidos cresce

O relatório indica que a ração seca lidera o mercado global e deve manter a predominância até 2034, favorecida por praticidade, durabilidade e benefícios odontológicos. Ao mesmo tempo, avança o interesse por produtos com maior umidade, alta densidade nutricional e menor teor calórico.

São dois movimentos de venda registrados no mesmo levantamento, não uma recomendação de troca. O estudo mede o que sai da prateleira; não avalia caso a caso.

Nos Estados Unidos, duas plataformas concentram a venda digital

O texto mostra o peso do comércio eletrônico na distribuição: Chewy.com e Amazon.com concentram mais de 80% das vendas digitais de pet food nos Estados Unidos, enquanto Walmart.com, Petco.com e Petfooddirect.com também registram expansão. O relatório associa esse avanço a estratégias de venda direta ao consumidor e a embalagens sustentáveis.

O recorte é do mercado norte-americano. O material não apresenta número equivalente para o comércio eletrônico brasileiro, e a divisão de vendas por aqui, entre lojas físicas, agropecuárias, clínicas e aplicativos, não pode ser deduzida desse percentual.

Obesidade e recall aparecem como os freios do setor

O mesmo relatório que projeta a alta lista os obstáculos. Um deles é o aumento da obesidade animal, que já afeta mais da metade dos pets nos Estados Unidos. O outro são os recalls ligados à segurança alimentar — o estudo cita o episódio de 2025 de contaminação por influenza aviária (H5N1) envolvendo produtos da Savage Pet.

Recall é o recolhimento de lotes já vendidos quando o fabricante ou a autoridade sanitária identifica risco. Para reduzir esse tipo de risco e preservar a confiança do consumidor, o levantamento recomenda protocolos rigorosos de qualidade, rastreabilidade total e auditorias independentes. A recomendação é do estudo e se dirige à indústria.

O que o levantamento diz sobre o Brasil — e o que ele não diz

Na divisão por região, a América do Norte lidera o mercado, com 65% dos lares norte-americanos abrigando ao menos um animal de estimação. A Europa segue em expansão, com destaque para Espanha, Holanda e Polônia, puxada pela procura por nutrição terapêutica e orgânica. Na África do Sul, a regulação ainda aparece como entrave.

Sobre o Brasil, o relatório registra apenas a consolidação do segmento premium. Não traz valor em reais para o mercado brasileiro, não projeta faturamento nacional para 2034 e não desce a estados ou municípios — nada no material permite dizer quanto o setor movimenta no Espírito Santo ou em Guarapari. Quem citar esses números como se fossem brasileiros estará esticando o que o estudo afirma.

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