Demência canina é mais comum do que parece: veja os sinais de alerta – Portal Cães e Gatos

Seu cão idoso está confuso? Pode ser demência

Primeiramente, é preciso reconhecer uma realidade pouco discutida: a demência canina atinge até 60% dos cães com mais de 11 anos. De fato, a longevidade dos pets trouxe desafios inéditos, e o declínio mental progressivo é um dos mais silenciosos e devastadores deles.

Conhecida cientificamente como síndrome da disfunção cognitiva (SDC), essa condição se assemelha ao Alzheimer humano. Ou seja, o cérebro do animal sofre neurodegeneração irreversível, comprometendo memória, aprendizado e comportamento de forma gradual.

Sinais sutis que merecem atenção imediata

Os sintomas, no entanto, costumam ser vagos. Desorientação dentro de casa, latidos sem motivo aparente, alterações no sono e eliminação fora do lugar estão entre os mais frequentes. Além disso, o animal pode demonstrar apatia social ou, em contraste, dependência excessiva do tutor.

Consequentemente, muitos responsáveis interpretam essas mudanças como sinais naturais do envelhecimento. Dessa forma, o diagnóstico acaba tardando, e a doença avança para estágios graves e irreversíveis.

Diagnóstico ainda é um grande desafio clínico

Nesse sentido, a ciência enfrenta limitações importantes. Não existe biomarcador confiável nem teste padronizado para confirmar a SDC em vida. Por exemplo, em pesquisa com 70 cães acima de sete anos, quase 66% apresentaram algum grau de comprometimento cognitivo. A confirmação definitiva, porém, só ocorre mediante análise cerebral post-mortem.

Curiosamente, cérebros caninos afetados exibem placas amiloides semelhantes às encontradas em pacientes com Alzheimer. Assim sendo, cães tornaram-se modelos valiosos para pesquisas sobre demência em humanos.

Manejo adequado pode transformar a rotina

Embora não exista cura, certamente há estratégias eficazes de manejo. Bloquear áreas perigosas, intensificar passeios e utilizar melatonina sob orientação veterinária são medidas práticas recomendadas. Por outro lado, a selegilina permanece como único fármaco aprovado pelo FDA para tratar a SDC, apesar de resultados ainda incertos.

Pesquisadores australianos, por sua vez, investigam exercícios de treinamento cognitivo como alternativa promissora. Sem dúvida, estimular mentalmente o animal pode retardar a progressão da doença.

Atenção precoce faz toda a diferença

Finalmente, o alerta mais importante: o declínio pode se agravar em poucos meses. Portanto, observar atentamente qualquer mudança comportamental no cão idoso e buscar avaliação veterinária imediata é essencial para preservar a qualidade de vida do animal e o equilíbrio da relação com seu tutor.

Fonte: Science Alert

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