Pavimentação em Linhares: 11,56 km e R$ 30,7 milhões

O governador Renato Casagrande autorizou, nesta sexta-feira (16), o início das obras de pavimentação e drenagem da estrada que liga São Sebastião das Terras Altas a Pedrolândia e segue de Pedrolândia até a Rodovia ES-248, em Linhares, no norte do Espírito Santo. São 11,56 quilômetros de via e R$ 30,7 milhões em recursos, dentro do Programa Caminhos do Campo.

A autorização é o passo que libera a execução: a partir dela, a obra pode sair do papel e ir a campo. Não é obra entregue, e nenhum prazo de conclusão foi divulgado no anúncio. Para quem mora na região, a diferença prática está no trecho exato que recebe asfalto e drenagem — e é isso que o projeto detalha.

Por onde o asfalto vai passar, trecho a trecho

O projeto foi dividido em dois subtrechos, e não em uma via única:

  • São Sebastião das Terras Altas até Pedrolândia: 7,50 quilômetros.
  • Pedrolândia até a ES-248, no km 33,30: 4,06 quilômetros.

Somados, os dois subtrechos chegam aos 11,56 quilômetros. A via terá oito metros de largura, medida que comporta dois sentidos de tráfego sem que caminhão e carro precisem disputar a mesma faixa.

A pavimentação não será toda igual. Cerca de 10,7 quilômetros recebem capa asfáltica; outros 6.560 metros quadrados — o equivalente a aproximadamente 820 metros de extensão — recebem blocos de concreto em pontos estratégicos. O bloco de concreto é usado em pontos que exigem pavimento mais resistente ao esforço repetido do tráfego pesado, e pode ser reassentado por trecho, sem refazer toda a capa.

Drenagem: a parte da obra que decide se o asfalto dura

O projeto inclui sistema de drenagem, e esse é o item que o morador de estrada rural costuma sentir primeiro. Drenagem é o conjunto de bueiros, sarjetas e dispositivos que retira a água da chuva de cima da pista e a devolve ao terreno em ponto controlado. Sem ela, a água corre pela própria estrada, abre sulcos, descalça a base e pode transformar o trecho recém-asfaltado em buraco já na primeira temporada de chuva forte.

É por isso que pavimentação e drenagem entram no mesmo contrato: uma sem a outra tende a durar pouco. O ganho esperado para quem depende da estrada todos os dias é de previsibilidade — escoar a produção em dia de chuva sem depender de trator, e manter o transporte de rotina funcionando o ano inteiro.

Essa intervenção é um investimento direto na competitividade da produção rural de Linhares. Estradas em boas condições reduzem custos, aumentam a segurança e permitem que o produtor chegue aos mercados com mais agilidade.

A avaliação é do secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, feita durante a solenidade.

Na mesma ocasião, o governador tratou a estrada como demanda antiga da região.

Hoje estivemos em Conceição da Barra e agora estamos aqui em Linhares, realizando um sonho antigo da comunidade de Pedrolândia. Mesmo não morando aqui, é nosso dever compreender a importância desse asfalto para quem vive, produz e depende dessa estrada todos os dias.

A fala é de Renato Casagrande. Ele citou ainda mais de R$ 4,8 bilhões aplicados em infraestrutura no Estado no ano passado.

De onde vem o dinheiro: o acordo de Mariana

Os R$ 30,7 milhões não saem do orçamento comum de rodovias. Vêm da Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd), por meio de convênio com a Prefeitura Municipal, e têm origem no acordo de repactuação de Mariana — os recursos destinados aos municípios impactados pelo desastre ambiental. A execução fica a cargo do Programa Caminhos do Campo, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

O termo de cooperação entre Serd e Seag foi assinado em agosto de 2025. Dele já foram descentralizados R$ 101,6 milhões, repartidos assim:

  • R$ 72,9 milhões para recuperação de vias rurais;
  • R$ 28,9 milhões para construção de barragens de armazenamento de água.

Descentralizar recurso quer dizer que o dinheiro já foi transferido de quem detinha a verba para quem vai executar. É etapa financeira cumprida, e não sinônimo de obra iniciada em cada destino.

Em que fase está cada item do pacote

O anúncio reuniu obras em estágios diferentes, e vale separar uma coisa da outra:

  • São Sebastião das Terras Altas – Pedrolândia – ES-248, em Linhares: início das obras autorizado nesta sexta-feira (16). É o único item do pacote com autorização de início anunciada.
  • São Pedro Frio, em Colatina (segunda etapa da pavimentação): previsto no mesmo convênio, sem data de início divulgada.
  • Rio Francês, em Aracruz (nova pavimentação): previsto no convênio, sem data de início divulgada.
  • Barragem no Rio Piraquê-Açu, em Aracruz: prevista, sem data de início divulgada.
  • Barragens nos córregos Barcê, em João Neiva, e Manteninha, em Mantenópolis: previstas, sem data de início divulgada.
  • Novos termos de cooperação: em homologação. Nessa fase ainda não há obra definida: o que corre é a formalização que libera recursos adiante.

Nenhum dos itens acima foi apresentado como obra concluída. Autorizar o início, contratar, emitir a ordem para começar e entregar são etapas distintas — e só a primeira teve data nesta sexta-feira.

O detalhamento dos demais projetos do convênio foi dado pelo secretário de Estado de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi:

No escopo desse convênio, além do trecho entre São Sebastião das Terras Altas e Pedrolândia, também executaremos obras do Caminhos do Campo em Colatina, com a segunda etapa da pavimentação na comunidade de São Pedro Frio, e em Aracruz, com nova pavimentação em Rio Francês. Já as barragens no Rio Piraquê-Açu, em Aracruz, e nos córregos Barcê, em João Neiva, e Manteninha, em Mantenópolis, vão ampliar o acesso à água, garantir segurança hídrica e fortalecer a produção agropecuária.

O que é o Caminhos do Campo

O programa é a política estadual voltada à infraestrutura rural: pavimentação, drenagem e recuperação de estradas vicinais — as vias sem numeração de rodovia que ligam propriedades e comunidades ao asfalto principal. São elas que concentram o primeiro trecho de quase todo escoamento de produção, e as que costumam ficar de fora dos programas voltados às rodovias.

Em Linhares, o desenho da obra segue essa lógica: dois subtrechos vicinais que desembocam na ES-248, no km 33,30, ponto em que a carga entra na malha rodoviária estadual.

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