Primeiramente, um dado surpreendente revela a dimensão do problema: 70% dos veterinários brasileiros já substituíram um produto simplesmente por falta de evidência prática atualizada. Esse número, levantado pela VCM Advisors & Consulting, expõe uma fratura silenciosa que ameaça gigantes da indústria veterinária em escala global.
De fato, o setor de saúde animal viveu décadas de crescimento impulsionado por inovação científica e expansão comercial agressiva. O mercado pet se consolidou, ganhou sofisticação e mostrou resiliência impressionante. Porém, algo fundamental mudou sem que muitas empresas percebessem.
A distância perigosa entre laboratório e consultório
Em outras palavras, existe um abismo crescente entre a estratégia corporativa e a realidade clínica onde o valor é efetivamente gerado. Esse fenômeno, observado nos Estados Unidos, Europa, Japão e América Latina, revela que a inovação avança, mas a adoção no ponto de cuidado simplesmente não acompanha.
Consequentemente, produtos tecnicamente superiores apresentam baixa incorporação em protocolos clínicos. Além disso, investimentos milionários em marketing tornam-se ineficientes quando decisões são baseadas em volume de vendas, e não em uso real.
Por que o Brasil vive um paradoxo preocupante
Nesse sentido, o cenário brasileiro é emblemático. O país figura entre os maiores mercados pet do mundo, com profissionais altamente especializados. Em contraste, a integração estruturada entre indústria e prática clínica permanece fragmentada, dominada por interações puramente comerciais.
Por outro lado, mercados maduros já operam com advisory boards recorrentes e fóruns estratégicos permanentes. Dessa forma, aprendem sistematicamente com seus próprios ecossistemas.
Relevância clínica não se compra com publicidade
Certamente, o maior risco não é perder participação de mercado imediata, mas tornar-se clinicamente irrelevante sem perceber. Segundo Adriano Souza, CEO do Grupo Animal Health e sócio líder de saúde animal da VCM Consulting, quando empresas trabalham governança, gestão de portfólio e supply chain de forma sistêmica, os ganhos superam 20%.
Assim sendo, ecossistemas técnico-científicos integrados deixam de ser ferramentas promocionais e se transformam em inteligência estratégica genuína. Sem dúvida, conectar indústria, veterinários e gestores capturando decisões clínicas reais é o caminho para recalibrar estratégias com evidência prática.
O futuro pertence a quem escuta o consultório
Finalmente, o desafio central não é simplesmente crescer, mas crescer mantendo relevância exatamente onde as decisões clínicas acontecem. Portanto, em um mercado cada vez mais técnico e especializado, vence quem aprende mais rápido no ponto de cuidado — e transforma essa escuta ativa em vantagem competitiva duradoura.
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