Deportação de Portugal termina com visto aprovado

Passaporte indonésio em terminal de aeroporto, símbolo de deportação de Portugal
Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Yazid N / Pexels.

Um jovem brasileiro viveu uma situação que mistura burocracia, descaso e ironia cruel: passou por uma deportação de Portugal e, ao pisar em solo brasileiro, descobriu que seu pedido de residência havia sido aprovado. O caso viralizou e levou o termo “deportação” aos mais buscados no Google Brasil, com alta de mais de mil por cento nas pesquisas em 24 horas, segundo o Google Trends.

O jovem, de 19 anos, morava há 2 anos em Portugal com a família. O problema começou porque o processo de regularização dos pais, iniciado em 2024, levou 2 anos para ser concluído — quando deveria durar apenas 90 dias. Enquanto isso, ele completou a maioridade e perdeu a janela para solicitar o “agrupamento familiar” ainda como dependente.

O que falhou na deportação de Portugal

Ao retornar de um intercâmbio na Irlanda, o jovem chegou ao aeroporto de Lisboa e foi detido. Ele ficou 4 dias em uma sala que descreveu como “extremamente sujas”, com camas semelhantes a macas de hospital e cobertas sujas. Na primeira noite, dormiu em uma cadeira.

A comunicação com a família era precária, e os agentes não forneciam informações claras. Em determinado momento, o jovem chegou a embarcar em um avião com destino a São Paulo, mas foi retirado antes da decolagem. Na última noite, pouco antes das 23h, confirmaram a deportação. O celular e o passaporte foram recolhidos e só devolvidos no Brasil.

O advogado Renato Teixeira explicou que a AIMA não disponibilizava o formulário necessário para regularização como estudante. A única alternativa era o telefone, mas o contato era quase impossível. “Você faz centenas e centenas de ligações, fica às vezes cinco horas tentando ligar para a Aima e ninguém atende o telefone”, afirmou o advogado. A família, sem recursos financeiros, não conseguiu acionar a Justiça para forçar o agendamento.

Processo aprovado, jovem já fora do país

Ao desembarcar em Guarulhos, o jovem soube que a família não havia recebido nenhuma notificação oficial sobre o voo. Um professor identificou a aeronave e avisou parentes no Brasil. No mesmo dia, chegou a notícia da aprovação do processo de permanência em Portugal.

“Eu fico extremamente revoltado porque ninguém avisou os meus pais que eu estava sendo deportado. E, após eu ser deportado, o processo deu certo”, declarou o jovem.

O advogado agora busca um novo visto para que o estudante não perca o ano letivo, que recomeça em setembro. A AIMA, por sua vez, informou que pedidos de nacionalidade são competência do Instituto dos Registos e Notariado e que o controle de fronteiras cabe à Polícia de Segurança Pública.

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Sobre Ary Ribeiro

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