
O fim da escala 6×1 aprovado pelo Congresso preocupa empresários de diferentes setores. Indústria, comércio, saúde e turismo afirmam que os 60 dias de transição são insuficientes e já discutem medidas como banco de horas, demissões, trabalho intermitente e automação para absorver a mudança.
O Senado manteve a proposta aprovada na Câmara. A partir da promulgação da PEC, os trabalhadores passam a ter dois dias de descanso por semana e jornada máxima de 42 horas semanais, sem corte de salário. Um ano depois, o limite cai para 40 horas.
Fim da escala 6×1 força indústria a buscar automação
José Velloso, presidente da Abimaq, diz que o banco de horas será a primeira resposta do setor. “A PEC tem um lado positivo, que é obrigar o empresário a buscar automação, ainda muito baixa no Brasil”, afirma Velloso.
Guilherme Hakme, diretor da entidade, alerta: “Se a demanda cair por conta desse aumento de preços, a indústria terá de reduzir sua produção, o que, consequentemente, resultará na demissão de empregados.” O setor pede redução de impostos e crédito subsidiado para compensar os custos extras.
Comércio e saúde também alertam para repasse de custos
Karina Negreli, assessora jurídica da Fecomercio-SP, aponta que o comércio pode demitir funcionários mais antigos para contratar profissionais com salários menores.
Na saúde privada, a Anahp alerta que os 60 dias são insuficientes para renegociações sindicais. “Hospitais funcionam 24 horas por dia e precisam garantir a continuidade dos serviços”, diz a associação. O turismo, por sua vez, prevê expansão do trabalho intermitente e da “pejotização”.
Transição mais lenta em outros países
A velocidade brasileira contraria orientações da OIT, que recomenda mudanças graduais e por setor. Portugal levou quatro anos para reduzir de 44 para 40 horas semanais. A Bélgica distribuiu a queda de 40 para 38 horas em cinco anos. No Chile, a redução de 45 para 40 horas começou em 2023 e terminará em 2028.
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