Volkswagen, Ford e Tesla usam níquel de área desmatada

Volkswagen Ford e Tesla
Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Vlad Chețan / Pexels.

Uma investigação identificou que as baterias de montadoras como Volkswagen, Ford e Tesla podem conter níquel extraído em áreas com desmatamento de terras indígenas na Indonésia. As minas de Cahaya e Hengjaya ficam em Sulawesi. Elas estão ligadas à destruição de florestas primárias habitadas pelo povo Tolaki.

O minério dessas minas percorre smelters regionais e plantas de processamento operadas pela Zhejiang Huayou Cobalt. A empresa abastece a CATL, maior fabricante de baterias do mundo. Relatórios corporativos da Huayou listam montadoras dos EUA e da Europa como usuários finais.

Volkswagen Ford e Tesla enfrentam pressão sobre desmatamento indígena

Análises de satélite mostram perda generalizada de floresta primária nas concessões mineradoras. A Sulawesi Cahaya Mineral (SCM), operadora da mina Cahaya, contribuiu para o desmatamento de 330 hectares adicionais em 2024. Além disso, recebeu duas sanções administrativas por desmatar ilegalmente mais de 450 hectares além dos limites permitidos.

Wadimula, um ancião Tolaki cuja casa fica na borda da concessão de 21.000 hectares da Cahaya, afirmou que seu povo pedia proteção à floresta em troca de oferendas. Conforme o ancião, destruí-la significa destruir a própria vida.

Cadeia de fornecimento conecta minas a montadoras

Em 2024, materiais processados no valor de US$ 606 milhões saíram da planta de Morowali para portos na China. Em 2025, novas remessas somaram US$ 470 milhões. A unidade da Volkswagen em Braunschweig, por exemplo, recebeu em outubro de 2024 uma remessa de 24 toneladas de módulos de células avaliados em cerca de US$ 390 mil.

Entre as montadoras identificadas como usuárias finais de cátodos da Huayou ou receptoras de remessas da CATL estão Volkswagen, Volvo, Ford, General Motors, Tesla, BMW, Stellantis e Hyundai. A Volkswagen admitiu não poder descartar que as empresas façam parte de sua cadeia de fornecimento.

Montadoras reconhecem riscos, mas não divulgam auditorias

A Ford informou estar comprometida com a proteção dos direitos humanos e do meio ambiente, bem como com a análise das alegações. A General Motors reconheceu que a mineração de níquel na Indonésia apresenta riscos ambientais e de direitos humanos significativos. A Stellantis, por sua vez, declarou estar ciente dos desafios ambientais e sociais associados à produção de níquel no país, incluindo riscos de desmatamento e perda de biodiversidade. Nenhuma das empresas divulgou os resultados de auditorias presenciais.

A demanda global por níquel deve dobrar para 5,5 milhões de toneladas até 2040, conforme a Agência Internacional de Energia. Atualmente, a pegada de carbono do níquel das piores minas pode ser até 500 vezes maior do que o estimado anteriormente.

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Sobre Ary Ribeiro

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