Quando pensamos em visitar cidades turísticas de praia, logo nos vêm à mente belas praias, hotéis, restaurantes, bares noturnos e a cultura local de forma geral, além, obviamente, de outros atrativos divulgados pelo marketing público e privado para os visitantes.
O município de Guarapari, como polo turístico, sempre explorou a beleza de suas praias e a estrutura de hotéis e restaurantes, deixando sempre esquecidos outros pontos importantes, como suas regiões serranas, sua história e os muitos roteiros ecológicos ainda não explorados.
O magnífico universo ecológico de Guarapari raramente desperta interesse no debate sobre a política do setor, por motivos até hoje desconhecidos — ou, quem sabe, por puro desinteresse pela causa, imagino eu!
Na cidade existem dois importantes “biomas”: o da Mata Atlântica (Parque Estadual Paulo César Vinha) e o manguezal, com cerca de 10 km de rota navegável que jamais foi explorada.
Ecossistemas em Guarapari
Os ecossistemas do manguezal de Guarapari, em resumo, caracterizam-se pela transição entre a terra e o mar, associada às margens de baías, enseadas, barras e desembocaduras de pequenos rios, além da flora e da fauna que ali existem. É uma riqueza incalculável e cheia de possibilidades nos campos ambiental, econômico e turístico, que deveria merecer atenção especial dos governantes e da iniciativa privada.
Imaginemos um “projeto-piloto” capaz de recuperar a fauna e a flora castigadas pela ocupação humana, que despeja lixo e esgoto ali diariamente, criando alternativas por meio da educação ambiental, em parceria com os diversos atores envolvidos e interessados. Num segundo momento, viriam as visitas turísticas, com pequenos píeres e barcos adaptados para a navegação, acompanhados por guias que informariam e educariam os milhares de visitantes sobre os inúmeros aspectos ambientais relevantes. Com isso, teríamos entretenimento ecológico aliado à educação e uma nova modalidade de turismo para a economia da cidade.
É possível?
Eu diria que, se houver um mínimo de vontade política, somado à colaboração de cada um, poderemos juntos implantar um novo “modelo”, que gere consciência permanente, impacto econômico para o município e, finalmente, renda para centenas de famílias “ribeirinhas” que vivem no manguezal de Guarapari.
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