A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) deflagrou na manhã de sexta-feira (16) a 2ª fase da Operação Dominó, em Afonso Cláudio, e informou ter detido seis pessoas — cinco homens e uma mulher. Todas são tratadas pelo próprio órgão como suspeitas de integrar uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas: não há julgamento nem condenação, e é esse o estágio em que o caso está.
A ação foi conduzida pelo Centro de Inteligência e Análise Telemática Serrano (Ciat Serrano), com apoio da Força Tática da 2ª Companhia Independente da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). Foram apreendidos um revólver calibre .38 e cerca de 200 munições.
Seis detidos e cinco mandados de prisão preventiva: a conta que a nota não fecha
A Polícia Civil informa que foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão. As pessoas detidas, porém, somam seis.
O material não explica a diferença. Não há menção a prisão em flagrante, a mandado adicional nem a qualquer outra providência que dê conta da sexta pessoa. Como o órgão não faz essa ligação, o dado fica registrado exatamente como ele o publicou: seis detidos, cinco mandados de prisão preventiva cumpridos. Também não é dito quem, entre os cinco homens e a mulher, era alvo de mandado.
Sobre o destino, a nota trata as seis do mesmo modo: depois dos procedimentos de praxe, todas foram levadas ao sistema prisional e seguem à disposição da Justiça. Esse é o desfecho declarado até a divulgação do release — o texto não informa se, depois disso, houve reavaliação das prisões, manifestação de defesa ou soltura de alguém.
O que a 2ª fase da Operação Dominó apreendeu em Afonso Cláudio
A lista de apreensões é curta e aparece repetida no release: um revólver calibre .38 e munições, descritas em um trecho como 200 e em outro como cerca de 200. Não há informação sobre o calibre das munições, sobre a origem da arma nem sobre eventual registro.
Chama atenção o que não consta: embora a operação seja apresentada como ação contra o tráfico de drogas, o material não relata apreensão de entorpecente, de dinheiro, de balança, de material de embalo ou de veículo. Dez endereços foram alvo de busca e apreensão; o que saiu de cada um, a nota não diz.
Prisão preventiva não é condenação — em que ponto o caso está
Vale entender os dois instrumentos citados, porque eles marcam etapas diferentes e nenhuma delas é o fim do processo:
- Prisão preventiva — determinação judicial que mantém alguém preso durante a apuração, sem prazo fixado de antemão. Pode ser revogada a qualquer momento e não é pena: quem está preso preventivamente não foi julgado nem condenado.
- Mandado de busca e apreensão — autorização judicial para entrar em endereço determinado e recolher objetos de interesse da apuração. Dez mandados não equivalem a dez casas nem a dez pessoas, e cumprir o mandado não significa ter encontrado algo.
O release não traz enquadramento penal de ninguém: não cita tipificação, artigo de lei nem pena possível. Por isso o texto se mantém nos termos que a própria corporação usou — detidos, suspeitos, investigados.
A 1ª fase foi em novembro de 2024, e os números das duas não se somam
Segundo a Polícia Civil, a Operação Dominó teve início em 29 de novembro de 2024, quando nove pessoas foram presas. Foi a etapa registrada à época, na primeira fase da operação, deflagrada na região serrana, e é o único elo que a nota atual estabelece com o passado do caso. A comunicação oficial daquela primeira etapa segue publicada pelo órgão.
Os dois números não formam um total. Somar as nove pessoas de 2024 com as seis desta sexta-feira produziria uma cifra que a Polícia Civil não declarou. A nota não informa quantas das nove seguem presas, se alguma foi solta, se houve arquivamento em relação a alguém, nem se as seis detidas agora respondem no mesmo procedimento das primeiras.
Sobre o alvo desta etapa, a informação é atribuída ao coordenador do Ciat Serrano, delegado Alberto Roque Peres: as diligências se voltaram a desarticular um grupo que, de acordo com ele, tinha um homem à frente e estrutura montada na região. O release apresenta isso em discurso indireto — não há uma única declaração entre aspas no material, do delegado ou de quem quer que seja.
O que a Polícia Civil não informou sobre a operação
A nota é curta e deixa de fora informações que o leitor costuma procurar:
- a idade das seis pessoas detidas e em que ponto de Afonso Cláudio cada abordagem ocorreu;
- a situação da sexta pessoa, já que os mandados de prisão preventiva informados são cinco;
- de qual juízo partiram os mandados de prisão e de busca;
- o enquadramento penal atribuído a cada suspeito;
- se houve apreensão de drogas, dinheiro ou veículos nos dez endereços;
- quantas das nove pessoas presas na etapa de 2024 continuam custodiadas;
- se as pessoas detidas têm defesa constituída e o que ela alega.
O documento é uma comunicação oficial da própria corporação e traz apenas a versão dela. A ausência de contestação no release não significa que não exista contestação — significa que o material não a registra.
Como denunciar tráfico de drogas no Espírito Santo
Quem tiver informação sobre tráfico de drogas ou sobre atuação de grupo criminoso pode acionar os canais públicos:
- 181 — Disque-Denúncia, gratuito e anônimo; não é preciso se identificar para prestar a informação;
- 190 — emergência policial, para situação em andamento, com risco imediato.
Nenhum dos dois canais exige que a pessoa vá a uma delegacia para relatar o que viu.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

