A etapa do Chamadão da EJA nos terminais da Grande Vitória ocorreu entre 21 e 25 de julho de 2025 e está encerrada: as quatro paradas do roteiro divulgado pela Secretaria da Educação (Sedu) já passaram e o aviso não anuncia nova rodada nos terminais. Quem cruzou com as equipes em Cariacica, em Vila Velha ou na Serra recebeu material informativo e conversa sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA) — não uma vaga. Abordagem em terminal é divulgação; matrícula se faz na unidade de ensino, e essa parte, pelo que a própria Secretaria afirma, não depende de calendário de campanha: segue aberta o ano inteiro.
EJA nos terminais da Grande Vitória: o roteiro parada por parada
Foram quatro pontos de embarque em uma única semana, sempre na mesma faixa de horário, entre 13h e 16h — faixa que o texto oficial classifica como estratégica, sem dizer com base em qual critério de movimento. Este foi o calendário divulgado:
- Segunda-feira, 21 de julho de 2025 — Terminal de Jardim América, em Cariacica, onde a etapa começou;
- Terça-feira, 22 de julho de 2025 — Terminal de Vila Velha;
- Quinta-feira, 24 de julho de 2025 — Terminal de Carapina, na Serra;
- Sexta-feira, 25 de julho de 2025 — Terminal de Laranjeiras, também na Serra, encerrando a semana.
Dois detalhes do calendário merecem registro. O primeiro é o buraco no meio da semana: a quarta-feira, dia 23, não aparece no roteiro. A Secretaria fala em atividades ao longo da semana, mas lista apenas quatro dias e não explica se houve pausa, se a data foi reservada a outro formato ou se simplesmente não houve ação.
O segundo é geográfico. Apesar do nome que dá o guarda-chuva da região, nenhum dos quatro terminais fica em Vitória. A etapa cobriu três municípios vizinhos — Cariacica, Vila Velha e Serra, esta última com dois terminais. A capital tinha sido palco da fase anterior, feita em escolas e em pontos de circulação, com plantões para tirar dúvidas e panfletagem.
O que acontecia no terminal — e o que não acontecia
O texto oficial descreve duas atividades no local: entrega de materiais informativos e abordagem direta de quem passava, para falar sobre retomar os estudos. Em nenhum momento o aviso menciona matrícula feita ali, nem inscrição por lista, senha ou formulário no próprio terminal. Quem parou para ouvir a equipe saiu com informação, não com inscrição feita.
Esse é o ponto que o leitor precisa levar embora, sobretudo lendo hoje, com todas as datas vencidas: perder a passagem das equipes não fecha porta nenhuma. Pela declaração da própria gestora responsável pela modalidade, a inscrição não tem janela sazonal — corre durante o ano todo, nas duas formas de estudo que a rede estadual mantém.
A campanha também não terminou nos terminais. Dias depois, em etapa posterior, de 30 de julho de 2025, as equipes trocaram o ponto de ônibus pelas praças de Vitória e seguiram para o interior — datas que também já passaram.
Busca ativa, CEEJA, Núcleo de EJA: o vocabulário que o aviso não traduz
A Secretaria chama a operação de busca ativa. Na prática descrita pelo próprio texto, é o oposto de esperar o aluno aparecer na secretaria da escola: a equipe vai até o ponto por onde a pessoa já passa e leva a informação até ela.
A EJA é a Educação de Jovens e Adultos, a modalidade destinada a quem não concluiu o ensino fundamental ou o ensino médio na idade prevista e quer terminar depois. Ela aparece no aviso em duas formas de estudo, presencial e semipresencial, sem que o material explique a diferença de rotina, de carga horária ou de tempo até a conclusão entre uma e outra.
CEEJA é a sigla dos Centros de Educação de Jovens e Adultos; ao lado deles o texto cita os Núcleos de EJA, sem esclarecer o que separa um do outro. A frase oficial associa os dois a quatro municípios — Vitória, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Linhares — em construção ambígua: não fica claro se a lista de cidades vale para os centros, para os núcleos ou para ambos, nem se a oferta semipresencial existe apenas nesses quatro endereços.
14.801 matriculados em 194 escolas, e o que a palavra regular deixa de fora
O aviso traz o retrato do público atual: 14.801 estudantes matriculados na EJA regular, distribuídos por 194 escolas da Rede Pública Estadual. O adjetivo não é decorativo — ao qualificar o número como regular, a Secretaria delimita um recorte e deixa implícito que há oferta fora dele, que essa contagem não inclui. O material não informa quanto pesa essa parcela nem qual seria o total geral de estudantes da modalidade no Estado.
Faltam ainda os dois lados da conta que interessam a quem lê: o texto não diz quantas vagas restam nas 194 escolas, nem quantas matrículas a mobilização nos terminais gerou. Mobilização se mede por presença de equipe, não por resultado — e nenhum balanço foi apresentado.
O que a Sedu diz ter ido buscar nos terminais
A gerente de Educação de Jovens e Adultos da Sedu, Mariane Berger, resumiu assim a escolha de trabalhar em ponto de ônibus, e não dentro da escola:
“Nosso objetivo é estar onde as pessoas estão, facilitando o acesso às informações sobre a EJA e mostrando que é possível retomar os estudos em qualquer fase da vida”
A avaliação é da gerente de Educação de Jovens e Adultos, Mariane Berger.
Foi ela também quem detalhou o que continua valendo depois que as equipes recolhem o material e vão embora:
“As matrículas seguem abertas durante todo o ano, tanto na modalidade presencial quanto semipresencial, disponível nos Centros de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) e nos Núcleos de EJA, localizados em Vitória, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Linhares”
A declaração é da mesma gestora.
O que este aviso da Sedu não informa
Comunicação oficial conta o que o órgão fez e raramente registra o que ficou de fora. Nesta divulgação, seguem sem resposta pontos que decidem se a pessoa consegue ou não voltar a estudar:
- o passo seguinte à abordagem — o texto não descreve o que fazer depois da conversa no terminal, a quem procurar nem em que balcão se apresentar para efetivar a inscrição;
- quais escolas ofertam a modalidade — as 194 unidades são citadas como total, sem lista, endereço, mapa ou divisão por município;
- que documentos levar — nenhum item é enumerado, e o material não diz o que fazer quem não tem a papelada da escola anterior em mãos;
- quem pode se inscrever — não há menção a idade mínima, a escolaridade exigida na entrada nem a qualquer outro critério;
- prazo e vagas — a matrícula é apresentada como aberta o ano todo, mas o aviso não diz se há limite de vagas por escola ou por município, nem o que acontece quando uma turma lota;
- canal a distância — telefone, site, formulário on-line ou atendimento por aplicativo não foram divulgados; os únicos endereços do texto são os dos quatro terminais, todos já vencidos;
- o horário das aulas — não se informa se a EJA presencial funciona à noite, pela manhã ou nos fins de semana.
Vale o registro de sempre: o material tem um lado só, o do órgão que promove a campanha. Não há avaliação independente, nem manifestação de quem estuda ou desistiu de estudar na modalidade, e ausência de crítica não é o mesmo que consenso.
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