Na quinta-feira (07) de agosto de 2025, a Secretaria da Educação (Sedu) chamou à sede central superintendentes, assessores pedagógicos e administrativos, representantes do Regime de Colaboração e a equipe da Gerência de Avaliação (GEA) para acertar como as escolas seriam chamadas a participar das provas externas do ano. Na pauta, Saeb e Paebes 2025 — e também o Paebes Alfa, a terceira das provas citadas no encontro.
Convém situar o encontro na fila de etapas antes de qualquer outra coisa: o que aconteceu naquela quinta-feira não foi a avaliação, foi a preparação da avaliação — o degrau mais distante do resultado em todo o ciclo. Entre a reunião e qualquer número sobre aprendizagem havia ainda a aplicação, a correção e a divulgação. E, para quem lê hoje, os dois períodos que aquela sala preparava ficaram para trás: o Saeb tinha aplicação prevista entre os dias 20 e 31 de outubro; o Paebes e o Paebes Alfa, entre 10 e 28 de novembro. O material é da largada e não acompanha a chegada — não traz resultado, não informa quando o resultado sairia e não indica onde consultá-lo.
Quem sentou à mesa — e quem ninguém contou
A divulgação oficial nomeia cargos e não conta cabeças. Sabe-se que havia superintendentes, assessoria pedagógica, assessoria administrativa, gente do Regime de Colaboração e a equipe da GEA; não se sabe quantos eram, de quantas regionais vieram nem quantas redes municipais estavam representadas ali dentro.
A distinção não é preciosismo. Participante não é escola, escola não é rede e nenhum dos três se converte no outro por semelhança de tamanho. Uma sala com trinta pessoas pode cobrir uma dezena de regionais ou uma só; o texto não permite decidir. E o alcance declarado da mobilização — comunidade escolar, estudantes, famílias e profissionais da educação — vem dito por categoria, nunca por quantidade.
Vale reparar num detalhe que resume o problema: os cinco números do comunicado são todos de calendário. O dia do encontro e as quatro bordas das duas janelas de prova. Não há um único algarismo que conte pessoa, escola, município ou rede.
A reunião alinhou; o texto oficial não registra uma decisão
O vocabulário do comunicado é de processo, não de deliberação: fala-se em planejar, alinhar e fortalecer estratégias. Nenhuma meta de participação aparece. Nenhum cronograma de tarefas aparece. Não há divisão de responsabilidades entre as superintendências, não há prazo para nada e não há marcação de um próximo encontro. Pelo que o material registra, o que houve foi exposição e acerto de rumo.
O fecho do texto de origem reforça a leitura: em vez de dizer o que a sala resolveu, ele reafirma o compromisso da pasta com a cultura de avaliação — adjetivo institucional, não deliberação. Se decisões foram tomadas naquela quinta-feira, elas não foram divulgadas.
Mobilizar, na definição de quem organizou o encontro
Coube à área que organiza a avaliação estadual dar ao verbo a definição mais direta de todo o material.
“O sucesso dessas ações depende do envolvimento de todos, e é por isso que mobilizar é, antes de tudo, sensibilizar para a importância da aprendizagem dos nossos estudantes.”
Quem falou foi Bianca Silva Santana, gerente de Avaliação.
Guarde a palavra do meio: sensibilizar. Mobilizar, ali, quer dizer convencer da importância da prova. Não é logística de aplicação, não é fiscal de sala, não é reposição para quem faltar, não é correção. Também falou no encontro o subsecretário de Estado de Avaliação e Planejamento, André Melotti, que apresentou as avaliações como instrumento para orientar políticas públicas. Nenhuma das duas falas trata do que a reunião produziu — as duas tratam de por que a avaliação importa.
Saeb e Paebes 2025: as datas que a reunião preparava
Os dois períodos vieram no comunicado e são a informação mais concreta dele. A aplicação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), a prova de alcance nacional, estava prevista para o intervalo de 20 a 31 de outubro. Em seguida viriam as provas estaduais, Paebes e Paebes Alfa, entre 10 e 28 de novembro, voltadas à rede pública capixaba. Nenhum outro marco do ciclo foi datado.
Se você chegou aqui querendo saber qual prova é qual
Esta matéria trata do encontro que antecedeu as provas, e não do desenho de cada uma delas. Quem precisa entender qual é nacional e qual é estadual, quem aplica cada uma, que anos escolares fazem cada teste e o que cai em cada uma vai encontrar o comparativo completo na orientação que a secretaria publicou um mês depois desta reunião, já em setembro de 2025, colocando as duas avaliações lado a lado. Repetir aqui o que está bem explicado ali só faria o leitor ler duas vezes a mesma coisa.
O mesmo ritual, um ano antes
A sequência de 2025 não inaugurou nada. Em agosto de 2024, na mesma altura do calendário e na mesma etapa, a Sedu iniciava a organização do Paebes e do Paebes Alfa com a prova ainda sem data marcada. E a outra ponta do ciclo anterior também ficou registrada: em novembro daquele ano, a secretaria encerrou as aplicações do Paebes/Paebes Alfa de 2024. Duas edições seguidas com o mesmo desenho — reunião preparatória no meio do ano, aplicação no fim — sem que a divulgação de 2025 diga de quanto em quanto tempo cada avaliação volta.
As perguntas que o comunicado deixa abertas
Boa parte do que uma direção de escola, um professor ou uma família gostaria de saber sobre a mobilização para o Saeb e Paebes 2025 ficou fora da divulgação:
- Quantas pessoas participaram do encontro e quantas regionais, redes municipais e escolas estavam representadas.
- O que exatamente foi deliberado: meta de participação, cronograma, distribuição de tarefas, próxima reunião.
- O que é o Regime de Colaboração, citado entre os presentes e em nenhum momento explicado.
- O que a mobilização passa a exigir, na ponta, de cada direção de escola, de cada professor e de cada família.
- Se saiu do encontro alguma orientação escrita, e por qual meio ela chegaria às unidades de ensino.
- Quem responde pela mobilização em cada regional e a quem a escola recorre em caso de dúvida — nenhum canal de contato foi divulgado.
- Se a sala tratou também da operação das provas — distribuição do material, aplicação, reposição para quem faltasse — ou apenas do convencimento.
- Quando e por onde os resultados das duas avaliações seriam divulgados depois da aplicação.
Quem organiza a prova é quem lê o resultado dela
Há um dado de estrutura que o comunicado não comenta e o leitor precisa ter em mãos: a mesma secretaria que convoca a mobilização coordena a avaliação estadual e depois interpreta o que ela mostrar sobre a própria rede. Não há irregularidade nisso — é o desenho do programa —, mas fecha o circuito entre quem organiza e quem é medido.
As duas vozes do material saem do mesmo prédio: um subsecretário e uma gerente da estrutura que montou o encontro. Fora dali, ninguém. Não há a professora que vai aplicar o teste, não há direção de escola, não há família convocada a se sensibilizar, não há quem estude avaliação em larga escala longe do governo. A falta de discordância dentro do texto mede o alcance de uma assessoria de imprensa, não o grau de acordo que existe em volta do assunto.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

