O vice-governador Ricardo Ferraço assinou, na terça-feira (30), a autorização para o início das obras de construção de uma barragem no Córrego Barce, na comunidade de Demétrio Ribeiro, zona rural de João Neiva. A obra integra o Programa Estadual de Barragens e está orçada em R$ 2 milhões. O ato libera o começo da execução: a barragem ainda não existe e ainda não reserva água.
O que a autorização vale hoje
Autorizar o início das obras é a etapa em que o poder público dá o aval para que a construção comece. Não é entrega, não é inauguração e não muda, por si só, a rotina de quem mora em Demétrio Ribeiro. Enquanto a estrutura não estiver concluída e em operação, a água disponível na comunidade continua sendo a mesma de antes do anúncio.
Essa distinção importa porque obra de infraestrutura hídrica percorre um caminho longo entre a autorização e o primeiro litro armazenado: projeto, contratação, licenciamento, execução, testes e enchimento do reservatório. Cada uma dessas etapas tem prazo próprio, e nenhuma delas foi detalhada no anúncio.
De onde vêm os R$ 2 milhões
O investimento não sai do orçamento ordinário do Estado. Os recursos vêm do Acordo de Mariana, repassados por meio de convênio com a Secretaria de Recuperação do Rio Doce (Serd).
Na prática, dinheiro de convênio é dinheiro carimbado: só pode ser gasto na finalidade pactuada, segue um plano de trabalho previamente aprovado e exige prestação de contas do que foi executado. É um arranjo diferente de uma obra bancada diretamente pelo caixa do Estado, e essa diferença costuma influenciar o calendário da execução.
Barragem de reservação não é barragem de contenção
A finalidade descrita pelo Governo do Estado para a estrutura do Córrego Barce é a reservação de água — guardar volume nos meses de chuva para ter o que usar nos meses secos. É um tipo de obra voltado ao abastecimento das famílias, ao consumo dos animais e à irrigação das propriedades.
É um objetivo diferente do de uma barragem projetada para conter cheias, que trabalha com o problema oposto: segurar água em excesso para reduzir o impacto de enchentes a jusante. Nenhuma das duas funções se substitui, e o anúncio trata da primeira.
Ao autorizar o início das obras, Ferraço apresentou o que espera do empreendimento:
“É mais segurança hídrica com a reservação de água para épocas de instabilidade, favorecendo a atividade agropecuária e o consumo das comunidades. Nossa Secretaria da Agricultura se transformou numa ferramenta de conexão no interior capixaba, cuidando das mais diversas cadeias produtivas, mas fundamentalmente proporcionando infraestrutura para melhorar a vida das pessoas de quem mora nas áreas rurais”
A declaração é do vice-governador Ricardo Ferraço.
A obra dentro de um pacote maior
Ferraço afirmou que o Governo do Estado mantém outras frentes voltadas a quem vive no campo e listou quais são:
“São obras de pavimentação de estradas, calçamento rural, energia elétrica, comunicação, maquinário agrícola e também represas d’água.”
A fala é do vice-governador, que citou a atuação sob a liderança do governador Renato Casagrande. A relação apresentada é de linhas de atuação; o anúncio não informou quantas dessas frentes alcançam hoje João Neiva nem em que estágio cada uma está no município.
O que ainda não foi informado
O anúncio deixou em aberto os pontos que mais interessam a quem depende da obra. Não foram divulgados:
- prazo de execução e data prevista para a conclusão;
- a data em que as máquinas efetivamente entram no local;
- a capacidade de armazenamento do reservatório;
- quantas famílias e quantas propriedades serão atendidas;
- a área que passará a contar com irrigação;
- quem executará a obra e como foi feita a contratação.
Até que esses dados sejam divulgados, o que está confirmado é o valor de R$ 2 milhões, a origem do recurso e a autorização para começar.
Quem participou do ato
A solenidade em Demétrio Ribeiro reuniu o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o prefeito de João Neiva, Paulo Sérgio de Nardi (Micula), lideranças locais e moradores da região.
Segundo o Governo do Estado, a construção deve beneficiar agricultores e famílias da comunidade e contribuir para a preservação ambiental e para a economia rural do município — resultados que dependem da obra sair do papel e entrar em operação.
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