A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) identificou na terça-feira (07) um furto de energia em uma residência do bairro Morada de Campo Grande, em Cariacica. A ação foi feita pelo Departamento de Investigações Criminais (Deic) em conjunto com o Departamento de Engenharia Forense do Instituto de Criminalística (IC) e com técnicos da EDP, distribuidora de energia elétrica do Estado.
O responsável pelo local, de 69 anos, foi conduzido pelos policiais civis do Deic até a sede do departamento e autuado em flagrante por furto de energia elétrica. Depois do recolhimento da fiança arbitrada pela autoridade policial, foi liberado para responder em liberdade.
O que os técnicos encontraram na instalação
Segundo a Polícia Civil, um ramal de energia estava ligado diretamente à rede da EDP, antes da caixa de passagem, e desviava energia para duas unidades consumidoras. A irregularidade foi desfeita no local, e o proprietário do imóvel foi mantido com ligação provisória para permitir a regularização da instalação.
Os técnicos da EDP registraram as irregularidades em um Termo de Ocorrência e Inspeção (TOI). Ainda de acordo com a Polícia Civil, o proprietário já havia sido autuado anteriormente por ligação direta.
O que a Polícia Civil não informou
O material divulgado pela corporação não traz o valor estimado da energia desviada, não indica por quanto tempo a ligação irregular funcionou e não informa a data da autuação anterior. Também não detalha onde ficavam as duas unidades consumidoras abastecidas pelo ramal, nem quem responde pelo segundo ponto de consumo.
Vale registrar o que a autuação significa: ser autuado em flagrante não é condenação. O caso segue em apuração, e quem responde por ele é tratado como suspeito até que haja decisão judicial. A fiança recolhida é garantia de comparecimento aos atos do caso — não arquivamento nem absolvição.
Por que a ligação vem antes do medidor
O medidor só registra a eletricidade que passa por dentro dele. A caixa de passagem é o ponto em que a instalação do imóvel se conecta à rede da rua, e é ali que o consumo começa a ser contado. Quando um cabo é preso à rede antes desse ponto, a energia chega às tomadas sem passar pelo relógio e não aparece no faturamento. É essa montagem que a distribuidora chama de ligação direta.
O risco não é só a conta: é incêndio e choque
Um ramal clandestino é montado sem projeto, sem cálculo da carga que vai carregar e sem os dispositivos que cortam a corrente quando algo sai do normal. Na prática, isso cria três perigos concretos:
- Incêndio. Cabo fino demais para a carga esquenta, derrete a isolação e pode iniciar fogo dentro da parede ou no forro, onde ninguém enxerga o início.
- Choque elétrico. Emendas expostas, fita isolante no lugar de conector e ausência de aterramento deixam partes energizadas ao alcance de quem mora no imóvel — e de quem sobe no poste para trabalhar na rede.
- Falta de luz na vizinhança. Carga não prevista sobrecarrega transformador e cabos do trecho, o que pode provocar oscilação, queima de aparelhos e interrupção em casas que não têm nenhuma relação com a irregularidade.
Sinais de alerta em qualquer rua: cheiro de queimado perto do padrão de entrada, fio aparente descendo do poste por fora do medidor, estalos na caixa e escurecimento da parede em volta da fiação.
Por que é crime, e não apenas dívida com a distribuidora
A lei penal equipara a energia elétrica a bem móvel. Por isso o desvio é tratado como furto, com apuração criminal própria, e não apenas como pendência a resolver no balcão de atendimento.
A cobrança corre em paralelo. De acordo com a EDP, além da responsabilização criminal, os responsáveis deverão ressarcir os valores da energia não faturada, bem como os custos operacionais e administrativos, conforme determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O TOI é o documento em que a distribuidora registra o que encontrou na inspeção e serve de base para esse cálculo; o consumidor pode contestá-lo pelos canais de atendimento da concessionária.
Como denunciar uma ligação clandestina
- 190 — para situação de emergência: fio caído, princípio de incêndio, cheiro de queimado ou fiação exposta em via pública. É o número de resposta imediata.
- 181 (Disque-Denúncia) — para informar irregularidade sem se identificar. O serviço é gratuito e não exige identificação de quem liga.
- Canais de atendimento da distribuidora — para pedir inspeção da rede e comunicar suspeita de desvio no trecho.
Quem descobre uma ligação direta em imóvel que ocupa não deve tentar desfazê-la por conta própria: mexer em cabo energizado sem equipamento adequado é o cenário típico de choque grave. O caminho é acionar a distribuidora e pedir a regularização da instalação.
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