Os tumores de mama são a neoplasia mais comum em cadelas e gatas, e a diferença entre um caso resolvido e um caso grave costuma estar no tempo até o diagnóstico. Segundo a médica-veterinária Aline Machado De Zoppa, conselheira do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba), cerca de 70% dos casos em cadelas são malignos, e em gatas esse número chega a 90%. A castração é a forma de prevenção mais indicada — mas, na descrição da própria veterinária, ela diminui a predisposição ao tumor influenciado por hormônio, e não é um procedimento isento de sequelas.
Nem todo nódulo na mama é câncer
A primeira distinção que muda a conduta é entre tumor benigno e maligno. Não é o tamanho do caroço que separa um do outro, e sim o comportamento do tecido.
As neoplasias mamárias podem ser benignas ou malignas. As benignas costumam ter uma apresentação localizada e dificilmente se espalham para outros tecidos. Já as malignas tendem a crescer e se espalhar
A explicação é de Aline Machado De Zoppa. Entre os malignos, ela detalha quais aparecem com mais frequência na rotina clínica:
Os tipos mais comuns encontrados são os adenocarcinomas mamários, seguidos pelos sarcomas e mastocitomas
A idade em que o tumor aparece com mais frequência
A veterinária explica que existe uma predisposição individual de cada animal para desenvolver a doença. Ainda assim, a influência hormonal está presente em grande parte dos casos em cadelas — e há uma faixa etária que concentra os diagnósticos.
As fêmeas de meia idade, entre sete e oito anos, são as mais acometidas. Com relação as raças, não existem predisposição racial definida
A informação é da médica-veterinária. Vale reter o segundo trecho da fala: não há raça definida como mais propensa, ou seja, não existe cachorro ou gato dispensado da checagem periódica por causa da raça.
Outro ponto que costuma surpreender tutores: o tumor de mama também pode se desenvolver em machos. Como eles não têm o estímulo hormonal na mama, são menos predispostos — menos, não imunes.
O caroço vem antes de qualquer outro sinal
Os sinais clínicos são, em geral, fáceis de identificar sem equipamento nenhum. O primeiro é o surgimento de nódulos ou caroços nas mamas, que podem variar de tamanho. Conforme a doença evolui, podem aparecer:
- endurecimento da região;
- ulceração da pele;
- saída de secreção;
- dor no local.
Em estágio avançado, o animal pode apresentar emagrecimento e falta de apetite. Como a doença dá sinais palpáveis desde cedo, o hábito de passar a mão pela barriga do animal durante o carinho vale mais do que parece — e é por isso que o tempo entre notar a alteração e chegar ao consultório pesa no prognóstico do tratamento oncológico em pets.
O que a castração diminui — e o que ela não promete
Como o tumor de mama tem influência hormonal, a principal forma de prevenção apontada por Aline Machado De Zoppa é a castração precoce das fêmeas. A veterinária indica o período entre o primeiro e o segundo cio para o procedimento. O mecanismo é direto: sem o estímulo do hormônio, o tecido mamário recebe menos gatilho para se alterar.
A ausência do estímulo hormonal no tecido mamário diminui a predisposição dos tumores que são influenciados por hormônios sexuais
O relato é da conselheira do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck. Repare no verbo: diminui a predisposição. Castrar não é blindar o animal contra o câncer, e nenhuma fêmea castrada dispensa a palpação de rotina depois da cirurgia.
A cirurgia não é isenta de sequelas
Esse é o lado que costuma ficar de fora da conversa sobre castração, e que a própria veterinária faz questão de registrar: a castração não é um procedimento sem consequências. A avaliação prévia do paciente é o que permite indicar se a cirurgia deve ser feita em outro momento — ou se não é indicada.
É preciso fazer um planejamento com relação ao melhor momento para o procedimento. Por exemplo, nas fêmeas das raças Golden Retriever os hormônios sexuais têm um fator protetivo importante. Além disso, a cirurgia também tem também efeitos negativos sobre o organismo, principalmente voltados a alterações articulares e outras neoplasias menos prevalentes, sendo necessário avaliar esses aspectos
A ponderação final é de Aline Machado De Zoppa. Ela cita alterações articulares e outras neoplasias menos frequentes entre os efeitos a pesar do outro lado da balança, além do caso das fêmeas Golden Retriever, em que os hormônios sexuais cumprem uma função protetiva.
Quem decide a data é o veterinário, com o animal na frente
A definição do melhor momento para castrar é individual: depende da raça, do porte, da idade e do estado de saúde de cada animal, e só pode ser feita por um médico-veterinário em avaliação presencial. A indicação do período entre o primeiro e o segundo cio é a orientação geral citada pela veterinária, e não uma data marcada para o seu animal.
Na prática, o que cabe ao tutor é o passo anterior à cirurgia: palpar as mamas com regularidade, levar qualquer nódulo ao consultório sem esperar para ver se cresce e discutir a castração com o veterinário que acompanha o animal, apresentando o histórico clínico completo. A decisão sai dessa conversa, não de uma matéria.
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