O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) criou a Comissão CFMV Jovem, grupo formado por nove profissionais em início de carreira que passa a reunir demandas de médicos-veterinários e zootecnistas recém-formados. O nome oficial é Comissão Nacional de Jovens Médicos-Veterinários e Zootecnistas, e a criação foi divulgada em 6 de novembro de 2025.
As seis tarefas que o grupo recebeu
O material divulgado descreve atribuições concretas. A comissão deve:
- desenvolver ações de comunicação, eventos e projetos institucionais;
- colaborar com outras comissões do CFMV;
- apoiar a elaboração de diagnósticos sobre o perfil e as demandas dos jovens profissionais;
- sugerir políticas de valorização;
- participar da análise de normas e propostas que impactam quem está iniciando a carreira;
- atuar como multiplicadora das iniciativas do Sistema CFMV/CRMVs, principalmente nas redes sociais.
A justificativa para a criação do grupo aparece na fala da presidência do conselho:
“A comissão nasceu da necessidade de aproximar o Sistema CFMV/CRMVs das novas gerações, ouvindo suas demandas e identificando oportunidades de inserção profissional, capacitação e liderança. Queremos que os jovens tenham voz ativa nas discussões que moldam o futuro da profissão, com foco em inovação, ética e protagonismo social”
A explicação é de Ana Elisa Almeida, presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
Quem são os nove integrantes
Dos nove nomes, quatro foram divulgados: Ana Carolina Siqueira Gonçalves de Assis, Luiza Aurora Coutinho Quintela, Carolina Clarissa de Castro Paixão Quaresma e Raphael Gomes dos Santos. A escolha, segundo o conselho, partiu de critérios técnicos — engajamento institucional, participação em atividades do Sistema e afinidade com as pautas da juventude veterinária e zootécnica.
“São jovens com sólida formação acadêmica, atuação em diferentes áreas da Medicina Veterinária e da Zootecnia e forte presença nas redes sociais e nos debates sobre a valorização profissional”
A descrição é de Ana Elisa Almeida. Sobre o filtro usado na seleção, ela acrescenta:
“Buscamos pessoas comprometidas, que representem o entusiasmo e a capacidade transformadora da nova geração”
O que o anúncio não informa
Quem acompanha a profissão precisa saber o que ainda está em aberto. O material divulgado não traz:
- os cinco nomes restantes entre os nove integrantes;
- o prazo de mandato dos participantes nem a data de instalação dos trabalhos;
- o calendário de reuniões ou a primeira entrega prevista;
- se haverá processo aberto de inscrição para as próximas composições — a seleção descrita foi por convite a partir de critérios do próprio conselho, não por edital;
- faixa etária ou tempo máximo de formado para o participante ser considerado jovem profissional no grupo;
- onde os diagnósticos sobre o perfil dos jovens profissionais serão publicados.
Enquanto esses pontos não forem detalhados, o acompanhamento depende dos canais institucionais do conselho e da divulgação das próprias comissões.
O que muda para quem pensa em cursar veterinária
Vale entender a diferença entre sugerir e decidir. Pelo que foi divulgado, o grupo sugere políticas de valorização e participa da análise de normas — não edita norma nem responde por decisão de conselho. Na prática, isso significa que a comissão é uma porta de entrada para pautas de quem está começando, e não uma instância que resolve pendências individuais de registro, fiscalização ou honorários.
Para o estudante e para o recém-formado, o efeito prático mais direto é a produção de diagnóstico. Levantamento sobre perfil e demandas de quem inicia a carreira é o tipo de dado que hoje quase não existe organizado: quantos se formam por ano, em quais áreas conseguem colocação, quanto tempo levam até o primeiro emprego, quais especialidades absorvem mais gente. Se o diagnóstico prometido for público, ele vira material de decisão para quem escolhe curso, estágio ou área de atuação.
O segundo efeito é de canal. Normas discutidas no conselho alcançam diretamente quem está entrando — regras de estágio, de responsabilidade técnica, de anúncio de serviços e de conduta profissional. Ter representantes na faixa de idade afetada não garante mudança, mas cria um endereço para levar a demanda antes de a regra ficar pronta.
O terceiro é de comunicação. Boa parte das dúvidas de quem começa — o que pode e o que não pode assinar, como funciona a inscrição profissional, o que é infração ética — circula hoje em grupos informais e chega distorcida. A comissão foi encarregada de levar informação institucional para as redes sociais, no formato em que esse público já busca.
“Além disso, atuam como multiplicadores das iniciativas do Sistema CFMV/CRMVs, especialmente nas redes sociais, aproximando a instituição das novas gerações”
A conclusão é de Ana Elisa Almeida.
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