Emirados e Coreia do Sul assinam sete acordos em IA e energia

Os Emirados Árabes Unidos e a Coreia do Sul assinaram sete acordos de cooperação que abrangem inteligência artificial, energia nuclear, exploração espacial e biossaúde. O presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e o líder dos Emirados, Sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, se encontraram em Abu Dhabi para formalizar a entrada da Coreia do Sul no Projeto Stargate, iniciativa de US$ 500 bilhões que pretende erguer a maior rede de data centers de inteligência artificial do planeta fora dos EUA. O que foi firmado é um pacote de acordos e memorandos entre os dois países — não um contrato de obra com valor, prazo e financiamento fechados.

A distinção importa porque o número que dá manchete ao anúncio, os US$ 500 bilhões, é o tamanho atribuído ao Projeto Stargate como um todo, e não o valor da participação sul-coreana. Quanto a Coreia do Sul entra, quando as obras começam, quem paga o quê e que licenças o complexo ainda precisa obter são informações que não constam do material divulgado sobre o encontro.

O que foi assinado, e o que um memorando resolve

Dos sete instrumentos, um deles trata da parceria em energia nuclear, aproveitando a experiência sul-coreana na construção da usina de Barakah, responsável por 25% da eletricidade dos Emirados. Os demais são descritos como memorandos e envolvem exploração espacial, colaboração em biossaúde, garantias de propriedade intelectual e uma estrutura estratégica para projetos avançados de inteligência artificial.

Vale entender a diferença, porque ela define o estágio desta notícia. Um memorando de entendimento registra por escrito a intenção de cooperar e o rumo que as conversas vão seguir. Ele não obriga nenhuma das partes a construir nada, não fixa preço, não define prazo e não substitui o contrato que viria depois. É o documento que abre a negociação, não o que a conclui. Um acordo já assinado entre governos também costuma depender, mais adiante, de trâmites internos em cada país antes de produzir efeito prático.

O compromisso central assumido pela Coreia do Sul é ajudar a montar o complexo de inteligência artificial de 1 gigawatt em Abu Dhabi, apontado como um dos pilares do Stargate. A formulação é essa: ajudar a montar. Não há, no material, contrato de construção, cronograma de entrega nem indicação de que o canteiro esteja aberto.

O que significa um complexo de 1 gigawatt

Data center é o galpão onde ficam os computadores que processam e guardam dados — no caso, as máquinas que treinam e executam sistemas de inteligência artificial. Quando um projeto desses é medido em gigawatts, o que está sendo descrito não é o tamanho do terreno nem a quantidade de máquinas, e sim a potência elétrica que a instalação precisa ter à disposição para funcionar. Gigawatt é unidade de potência: mede quanta energia o conjunto consegue puxar a cada instante, não quanto ele gasta ao longo de um mês.

É por isso que energia aparece no mesmo pacote de acordos que a inteligência artificial. Instalações desse porte só saem do papel onde existe geração elétrica firme e disponível o ano inteiro, e a conta de onde vem essa eletricidade é o ponto em que projetos assim costumam travar. O debate sobre a matriz que abastece essas instalações não é novo no setor e ajuda a entender por que a usina de Barakah entra na conversa entre os dois países.

Quem já estava no Stargate antes da Coreia do Sul

O Projeto Stargate foi anunciado em maio — a reportagem de origem não informa o ano — e já reunia como parceiros OpenAI, Nvidia, Oracle, Cisco e SoftBank. Além desses, havia acordos prévios com Samsung e SK Hynix para o fornecimento de chips de memória, componente sem o qual um complexo desse porte não opera. Esses contratos de chips, registre-se, são anteriores ao encontro em Abu Dhabi e não fazem parte dos sete acordos assinados agora.

O peso industrial do compromisso aparece na composição da comitiva sul-coreana, que incluiu o presidente-executivo da Samsung Electronics, Lee Jae-yong. A presença de executivos em viagem oficial sinaliza interesse comercial, mas não equivale, por si, a negócio fechado.

US$ 6,6 bilhões: o comércio que sustenta a aproximação

O pano de fundo econômico é medido: o comércio não-petrolífero entre os dois países atingiu US$ 6,6 bilhões em 2024, alta de 11,4% em relação ao ano anterior. O recorte é relevante porque exclui petróleo e derivados — ou seja, mede justamente a parte da relação que não depende da exportação de combustível.

Os acordos se alinham ao Acordo de Parceria Econômica Abrangente, firmado em 2024 e, à época do encontro, previsto para entrar em vigor ainda em 2025. Trata-se de um tratado comercial que reduz barreiras entre os dois países; como todo tratado, só passa a valer depois de cumpridas as formalidades de entrada em vigor previstas nele próprio.

Os valores estão em dólar norte-americano, como divulgados. Qualquer conversão para real dependeria da cotação de uma data específica, que o material não informa.

A frase do presidente sul-coreano

A ambição declarada pelo presidente sul-coreano tem prazo. Lee Jae-myung quer transformar seu país no que descreveu nestes termos:

“parceiro mais confiável dos Emirados na corrida pela IA até 2031”

O trecho entre aspas é um fragmento de declaração atribuída ao presidente sul-coreano. O ano de 2031 é apresentado como o horizonte em que os Emirados Árabes Unidos planejam consolidar-se como potência global em tecnologia e inteligência artificial. Aos dois líderes é atribuída, em conjunto, a intenção de erguer “novos motores de crescimento” com tecnologias de ponta, acelerando a infraestrutura avançada dos dois lados.

De onde vem esta informação

O relato deste encontro chegou ao leitor brasileiro pela StartSe, portal nacional de conteúdo de negócios e tecnologia que também comercializa formações e imersões executivas. O texto é assinado pelo editor Bruno Lois e foi publicado em 19 de novembro de 2025. Não se trata, portanto, de veículo de nenhum dos dois países envolvidos, nem de comunicado oficial: é cobertura de terceiro, e as informações aqui reproduzidas se limitam ao que essa publicação afirma.

Dois pontos merecem registro. Primeiro, as falas aparecem já em português na reportagem de origem, que não indica o idioma original nem quem fez a versão — as aspas reproduzidas acima são, portanto, tradução feita na origem, e não a formulação literal do que foi dito. Segundo, o título dado ao material fala em maior hub de data centers do mundo, enquanto o corpo do mesmo texto descreve o Stargate como a maior rede de data centers de inteligência artificial do planeta fora dos EUA — recorte mais restrito, e o que foi adotado aqui.

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