Na CES 2026, Jensen Huang subiu ao palco com uma promessa ousada: o “momento ChatGPT da robótica” estaria praticamente batendo à porta. Curiosamente, na edição anterior, ele já havia afirmado que o setor estava “virando a esquina”. De fato, a cada ano a retórica avança, mas a realidade física permanece teimosamente complexa.
Primeiramente, é preciso reconhecer que os anúncios impressionam. O novo chip Vera Rubin entrou em produção total, além disso, três plataformas surgiram: Cosmos, GR00T e Alpamayo. Gigantes como Boston Dynamics e LG já testam essas ferramentas. No papel, portanto, o futuro parece iminente.
O abismo entre inteligência digital e física
Em contraste com o ChatGPT, que opera em ambiente puramente digital com custo de erro próximo a zero, a robótica enfrenta o mundo real. Ou seja, cada hospital, fábrica ou fazenda exige adaptações radicais. Consequentemente, um único erro mecânico pode causar ferimentos graves ou até mortes.
Nesse sentido, o histórico é revelador. A Boston Dynamics levou três décadas para comercializar o Spot. A Tesla prometeu o Optimus há anos e segue em testes limitados. A Waymo, por exemplo, após 15 anos e bilhões investidos, opera apenas em três cidades americanas.
O paradoxo que explica a lentidão do setor
Certamente, existe uma ironia fascinante nessa corrida tecnológica. Traduzir idiomas ou programar algoritmos mostrou-se mais simples do que dobrar uma toalha. Isto é, tarefas triviais para uma criança de três anos continuam desafiando os robôs mais avançados. Esse fenômeno, conhecido como Paradoxo de Moravec, sem dúvida permanece como obstáculo central.
A jogada estratégica por trás dos anúncios
Por outro lado, a Nvidia joga um xadrez brilhante. Assim sendo, em vez de construir robôs, a empresa vende as ferramentas essenciais — GPUs, simuladores e software — para todas as companhias do setor. Dessa forma, replica a lógica da corrida do ouro californiana: quem vendeu pás lucrou mais que os garimpeiros.
Avanço real virá, mas não no ritmo prometido
Finalmente, a pergunta decisiva permanece: se a revolução robótica estivesse tão próxima, por que humanos ainda realizam 99,9% das entregas e serviços cotidianos? A robótica transformará o mundo, sem dúvida. Porém, conforme alertou Rodney Brooks, fundador da iRobot, sempre superestimamos mudanças de curto prazo e subestimamos as de longo prazo. Separar hype de realidade continua sendo a habilidade mais valiosa nessa corrida.
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