Primeiramente, é preciso derrubar um mito: nem todo latido ou destruição na ausência do dono significa ansiedade de separação. De fato, o uso indiscriminado desse rótulo preocupa especialistas do mundo inteiro e compromete diagnósticos precisos na rotina veterinária.
Nesse sentido, a médica-veterinária Kersti Seksel, referência global em Medicina Comportamental, trouxe esclarecimentos fundamentais durante a programação científica da VMX 2026. Sua abordagem diferenciou respostas emocionais saudáveis de quadros patológicos em cães e gatos.
Quando o medo deixa de proteger e passa a adoecer
Certamente, sentir medo diante de ameaças é biologicamente esperado. O sistema nervoso autônomo dispara hormônios de estresse para garantir sobrevivência. Em contraste, quando essa reação se torna desproporcional e constante, configura-se uma condição médica que exige intervenção profissional.
Além disso, fatores genéticos, experiências neonatais traumáticas e episódios de abandono contribuem significativamente para o desenvolvimento dessa síndrome. Ou seja, trata-se de um quadro multifatorial e heterogêneo.
Cães destroem por dor, não por vingança
Consequentemente, comportamentos como vocalização intensa, fugas, salivação excessiva e eliminação inadequada representam expressões genuínas de sofrimento emocional. Por outro lado, Seksel alertou para a chamada ausência virtual: basta fechar uma porta dentro de casa para desencadear crises em animais vulneráveis.
Gatos também sofrem, porém passam despercebidos
Dessa forma, felinos manifestam o problema através de marcação urinária, lambedura compulsiva e arranhaduras atípicas. Todavia, esses sinais frequentemente são confundidos com distúrbios dermatológicos, o que atrasa o tratamento correto.
Protocolo dos 4M orienta o tratamento integrado
Assim sendo, Seksel apresentou uma estratégia terapêutica estruturada: manejo ambiental com redução gradual das separações, modificação comportamental focada nas emoções, medicação quando necessária e monitoramento contínuo. Portanto, punições são totalmente contraindicadas, pois intensificam o medo.
Finalmente, dados apresentados revelam que aproximadamente 8,7% dos cães australianos enfrentam essa condição, enquanto nos Estados Unidos mais da metade permanece sem tratamento adequado. Sem dúvida, identificar precocemente a ansiedade de separação durante consultas de rotina é essencial para preservar o bem-estar animal e fortalecer o vínculo entre pet e tutor.
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