
Gilbert, de 74 anos, nasceu sem a orelha esquerda por causa de uma condição rara chamada microtia unilateral. Por décadas, ele nunca conseguiu ouvir pelo lado esquerdo. Recentemente, porém, uma prótese auditiva de orelha com aparelho auditivo integrado mudou completamente essa realidade.
O procedimento aconteceu no Ulster Hospital, único serviço do tipo na Irlanda do Norte. A unidade oferece próteses personalizadas para pessoas com defeitos de nascença, lesões traumáticas e sequelas de cirurgias oncológicas.
Prótese auditiva de orelha feita sob medida
Gilbert acompanha o Ulster Hospital desde outubro de 1997. Ao longo de 29 anos, ele teve orelhas artificiais fabricadas, reparadas e adaptadas. Anteriormente, cirurgias plásticas tentaram reconstruir uma orelha usando pele e tecido de outras partes do corpo. Os resultados, porém, não reproduziam a forma natural.
Depois que sua esposa leu um artigo sobre avanços em próteses, Gilbert procurou seu médico. O tecido enxertado foi removido e pequenos implantes foram inseridos para sustentar a orelha artificial. Além disso, um molde da orelha direita serviu de base para criar a esquerda.
A nova orelha protética carrega um aparelho auditivo que transmite sons do lado esquerdo para a orelha funcional. Gilbert disse que ter algo que não existia antes foi simplesmente notável.
Impacto além da aparência
O protesista maxilofacial Brian Bigmore já fabricou cerca de 4.000 próteses e dispositivos para mais de 250 pacientes no Ulster Hospital. Entre elas estão orelhas, olhos, narizes, dedos e outros itens. Cada peça é produzida individualmente, desde a moldagem inicial até o ajuste final em silicone realista.
Bigmore afirma que um defeito facial vai muito além da aparência. Ele pode afetar a confiança, a interação social e a qualidade de vida. Conforme o protesista, alguns pacientes chegam em estado muito difícil. Inclusive, há relatos de pacientes que diziam preferir estar mortos a continuar com a aparência que tinham após uma cirurgia ou acidente.
Ao mesmo tempo, Bigmore descreve o momento em que o paciente se olha no espelho com a nova prótese como uma das partes mais emocionantes de seu trabalho. Muitos que diziam não querer mais sair de casa acabam ligando meses depois para contar que reservaram férias e se sentem confiantes para circular em público novamente.
Para Bigmore, o objetivo vai além de restaurar a aparência: é fazer com que os pacientes queiram continuar vivendo, porque a vida não precisa acabar.
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