Peru proíbe maquiagem e cabelo longo em escolas públicas

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Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Siddharth Rathod / Pexels.

Keiko Fujimori empossou-se há dois meses no Peru e já deixou claro onde busca inspiração: em Nayib Bukele, presidente de El Salvador, de quem é declarada admiradora. O primeiro grande gesto educacional do seu governo foi um código rígido de vestimenta para estudantes do ensino público. A medida proíbe maquiagem, esmalte nas unhas, tintura no cabelo, saias curtas para meninas e cabelos compridos para meninos. O problema é que o governo não explica como a aparência dos alunos reduz a violência escolar.

A justificativa oficial é combater o bullying e a violência em sala de aula. O Ministério da Educação registrou cerca de 12 mil casos de violência em escolas nos últimos oito meses. Um estupro praticado por alunos dentro de um ônibus escolar chocou o país e empurrou o tema ao centro do debate público. Seis estudantes tiveram pena de prisão preventiva de quatro meses decretada. Diante disso, a resposta de Keiko Fujimori foi… regular o comprimento do cabelo.

O que falta na cartilha que proíbe maquiagem de Bukele

Bukele fez algo semelhante em El Salvador: proibiu cortes de cabelo como o moicano e o chamado “Edgar”, impôs requisitos de apresentação e restaurou expulsões por infrações graves. Keiko seguiu o modelo passo a passo. Ambos vendem a ideia de que disciplina visível equivale a segurança real. Mas essa equação não se sustenta.

“Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas?”, questionou a senadora Ruth Luque, do Ahora Nación. Ela foi direta: “A educação pública precisa de uma política séria de convivência, proteção de direitos e medidas claras para evitar espaços de violência, e não de ter a disciplina medida pela aparência de seus alunos.”

Opositores e defensores de direitos humanos apontam sexismo evidente nas regras, que recaem de forma desproporcional sobre as meninas. Ao mesmo tempo, nenhuma medida estrutural foi anunciada: sem formação de professores, sem protocolos anti-bullying, sem suporte psicológico.

Autoridade de fachada não resolve o problema real

Keiko respondeu às críticas com uma frase que resume bem a lógica do governo: “Sei que pode parecer bastante rigoroso, mas acreditem, isso será importante para toda a vida.” A presidente também declarou que “comportamentos que põem em risco a segurança de crianças e adolescentes exigem uma resposta firme, oportuna e responsável.” O que se discute é se proibir esmalte é uma resposta firme ou apenas uma resposta fácil.

Copiar a estética autoritária de Bukele pode gerar imagens de ordem, mas não produz escolas mais seguras. O Peru precisa de políticas que enfrentem as causas da violência escolar, não de um código de aparência que pune meninas por usarem maquiagem enquanto agressores seguem sem resposta adequada.

Artigo de opinião.

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