Medicamentos para emagrecer podem reduzir vendas de cerveja

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Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: cottonbro studio / Pexels.

A Heineken alertou bares e pubs britânicos que o crescimento no uso de medicamentos para perda de peso pode reduzir as vendas de cerveja e sidra. A segunda maior cervejaria do mundo apresentou dados sobre os efeitos dos fármacos GLP-1 — como Ozempic e Wegovy — mostrando que esses remédios diminuem o desejo de beber álcool nos consumidores.

O documento indica que o avanço dos GLP-1 pode tornar as tradicionais rodadas de chope uma prática cada vez menos comum. Entre os efeitos identificados, a empresa destacou a sensação de saciedade e a redução no número de doses consumidas por visita.

Mudança de hábito impacta as vendas de cerveja no setor

Nos Estados Unidos, 10 milhões pessoas recorreram a esses medicamentos no ano passado, segundo pesquisa do JP Morgan.

A Heineken identificou que usuários de GLP-1 tendem a escolher porções menores, bebidas com menos álcool e produtos mais sofisticados. Esse comportamento, segundo a empresa, também reflete mudanças mais amplas nos hábitos das gerações mais jovens.

Para se adaptar, a cervejaria aconselhou seus clientes britânicos a promover meias-doses, opções sem e com baixo teor alcoólico e a combinar bebidas com pequenas porções de comida. Sem essas adaptações, o risco é de queda nas visitas e nos gastos dos consumidores.

Setor diverge sobre o impacto real

Nem todas as empresas do setor compartilham a mesma preocupação. A Diageo, fabricante da Guinness, afirmou a investidores que qualquer impacto dos GLP-1 seria administrável. A Carlsberg, por outro lado, declarou que os dados disponíveis ainda não sustentam a tese de que esses remédios afetam o consumo de cerveja.

No entanto, pesquisas das empresas Circana, NIQ e KAM apontam redução no consumo de álcool entre usuários de GLP-1. As vendas de cerveja em pubs, bares e restaurantes britânicos somaram quase £ 14 bilhões no período encerrado em fevereiro, com menos de £ 300 milhões provenientes de produtos sem ou com baixo teor alcoólico, mas em crescimento.

A Heineken, que também possui marcas como Amstel, Sol e Strongbow, afirmou que continuará monitorando a evolução desses comportamentos ao longo de 2027.

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Sobre Ary Ribeiro

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