
A Heineken alertou bares e pubs britânicos que o crescimento no uso de medicamentos para perda de peso pode reduzir as vendas de cerveja e sidra. A segunda maior cervejaria do mundo apresentou dados sobre os efeitos dos fármacos GLP-1 — como Ozempic e Wegovy — mostrando que esses remédios diminuem o desejo de beber álcool nos consumidores.
O documento indica que o avanço dos GLP-1 pode tornar as tradicionais rodadas de chope uma prática cada vez menos comum. Entre os efeitos identificados, a empresa destacou a sensação de saciedade e a redução no número de doses consumidas por visita.
Mudança de hábito impacta as vendas de cerveja no setor
Nos Estados Unidos, 10 milhões pessoas recorreram a esses medicamentos no ano passado, segundo pesquisa do JP Morgan.
A Heineken identificou que usuários de GLP-1 tendem a escolher porções menores, bebidas com menos álcool e produtos mais sofisticados. Esse comportamento, segundo a empresa, também reflete mudanças mais amplas nos hábitos das gerações mais jovens.
Para se adaptar, a cervejaria aconselhou seus clientes britânicos a promover meias-doses, opções sem e com baixo teor alcoólico e a combinar bebidas com pequenas porções de comida. Sem essas adaptações, o risco é de queda nas visitas e nos gastos dos consumidores.
Setor diverge sobre o impacto real
Nem todas as empresas do setor compartilham a mesma preocupação. A Diageo, fabricante da Guinness, afirmou a investidores que qualquer impacto dos GLP-1 seria administrável. A Carlsberg, por outro lado, declarou que os dados disponíveis ainda não sustentam a tese de que esses remédios afetam o consumo de cerveja.
No entanto, pesquisas das empresas Circana, NIQ e KAM apontam redução no consumo de álcool entre usuários de GLP-1. As vendas de cerveja em pubs, bares e restaurantes britânicos somaram quase £ 14 bilhões no período encerrado em fevereiro, com menos de £ 300 milhões provenientes de produtos sem ou com baixo teor alcoólico, mas em crescimento.
A Heineken, que também possui marcas como Amstel, Sol e Strongbow, afirmou que continuará monitorando a evolução desses comportamentos ao longo de 2027.
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