
Quatro sociedades médicas — a American Heart Association, a American Academy of Pediatrics, a Society for Maternal-Fetal Medicine e o American College of Obstetricians and Gynecologists — lançaram um guia conjunto. O objetivo é unir especialistas no cuidado cardiovascular de mulheres ao longo de toda a vida. Os artigos foram publicados na revista Circulation e propõem que os quatro estágios da saúde cardíaca feminina sejam tratados de forma integrada, não fragmentada.
A iniciativa parte de um problema reconhecido: mulheres consultam muitos especialistas diferentes, mas não havia uma linguagem comum entre eles. Desde 1993, ensaios clínicos passaram a exigir a participação feminina. As pesquisas acumuladas mostram que o coração da mulher funciona de forma distinta — com sintomas, causas e riscos próprios.
Quatro estágios da saúde cardíaca da mulher ao longo da vida
O guia identifica a adolescência como ponto de partida. Sadiya Khan, professora de epidemiologia cardiovascular na Northwestern University Feinberg School of Medicine e coordenadora do grupo de redação, afirmou que o que acontece na adolescência impacta a saúde por anos e décadas. Conforme Khan, agir nesse momento pode mudar completamente a trajetória cardiovascular de uma pessoa.
Sangramento menstrual intenso, por exemplo, pode causar deficiência de ferro e prejudicar a capacidade de praticar atividade física. Além disso, pode sinalizar a síndrome metabólica ovariana policística, cujo diagnóstico costuma demorar anos.
Perimenopausa como ponto de inflexão cardiovascular
O documento destaca a perimenopausa — fase de transição entre os 45 e os 51 anos — como um estágio cardiovascular próprio. Nesse período, alterações no colesterol e na saúde metabólica podem ser os primeiros sinais de risco cardíaco. Conforme Khan, identificar o risco cedo e agir sobre ele pode reduzir a incidência de doenças cardiovasculares.
Muitas mulheres relatam não saber o que esperar dessa fase. O guia propõe uma linguagem compartilhada entre médicos e pacientes. Assim, cada transição pode ser antecipada e monitorada.
Saúde mental e fatores sociais também entram no cálculo
A depressão e a ansiedade aumentam entre adolescentes do sexo feminino e se intensificam na gravidez e no pós-parto. De acordo com Khan, esses fatores estão ligados às mudanças hormonais e integram o risco cardiovascular. Aspectos sociais — como renda, maternidade solo e desigualdade salarial — também compõem esse cenário.
O objetivo final, conforme o guia, é usar tudo isso para avançar na medicina personalizada. O guia propõe tratar cada paciente conforme sua biologia e seu momento de vida.
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