
O dólar hoje atingiu o equivalente a R$ 5,58 no mercado futuro negociado na Bolsa de Chicago. Isso ocorreu na manhã de 26/10/2026, após a vitória de Lula nas eleições gerais. O contrato de real com vencimento em novembro era negociado a US$ 0,1788, queda de 10,44% para a moeda brasileira em relação ao fechamento de sexta-feira. Naquele fechamento, o dólar comercial representava uma variação de 11,9%.
Os números são do mercado futuro da CME, em Chicago, consultados às 6h50 de Brasília. Os preços são divulgados com atraso de pelo menos dez minutos. Esses valores não representam o dólar comercial brasileiro, mas sinalizam a direção esperada para a abertura dos negócios no país.
Por que o dólar hoje disparou após o resultado eleitoral?
Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, aponta dois fatores principais. As pesquisas indicavam Flávio Bolsonaro à frente. Além disso, a decisão do STF de prorrogar a votação até as 19h levanta questionamentos sobre previsibilidade das regras e segurança jurídica. Conforme Mendes, o mercado deverá reavaliar o prêmio de risco exigido para investir no Brasil. Ele prevê possível reprecificação intensa e duradoura dos ativos.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno, avalia que a segunda-feira pode ser bastante volátil, com correção de rota e de ânimo do mercado. Ele projeta que o dólar hoje e nos próximos meses deve permanecer pressionado, ficando em torno de R$ 5,40 de forma sustentada em 2027. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, também alerta para possíveis discussões sobre judicialização do resultado. De acordo com Alves, isso tende a aumentar a percepção de risco.
Quais outros ativos brasileiros sofreram pressão nesta manhã?
O ETF do Ibovespa negociado nos Estados Unidos caía 26,74% na pré-abertura em Nova York. Atualmente, era cotado a US$ 31,20 às 7h de Brasília, ante US$ 42,59 no fechamento anterior. No câmbio futuro da CME, o real recuava 10,32%.
Rohan Daswani, da Gavekal Research, pondera que os fundamentos estruturais do Brasil permanecem válidos. O país ainda oferece juros nominais e reais elevados, bem como forte exposição a commodities e minerais críticos. Conforme Daswani, o Congresso é mais conservador do que Lula. A direita ocupa cerca de 59% das cadeiras na Câmara dos Deputados e mais de 64% no Senado, o que limita mudanças bruscas na política econômica. A Suno projeta expansão da economia de aproximadamente 1,3% em 2027, embora com inflação mais persistente e menos espaço para cortes da Selic.
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