Fed deve manter juros em outubro, mas pode agir no ano

Monitores exibindo gráficos do mercado de ações em sala com iluminação reduzida
Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Rafael Minguet Delgado / Pexels.

O Federal Reserve deve deixar as taxas de juros sem alteração na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto marcada para o dia 28 de outubro. Apesar disso, cerca de 75% dos agentes de mercado esperam pelo menos um aumento antes do fim do ano, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

O índice de preços ao consumidor, medida ampla da inflação, voltou a subir em setembro, elevando a taxa anual para 3,7%. O avanço dos preços de energia, em parte ligado ao conflito entre os EUA e o Irã, também pressionou o índice de preços ao produtor do mesmo mês. A cotação do petróleo Brent chegou a uma máxima de cinco meses na sexta-feira antes de recuar levemente.

Juros elevados pesam no bolso das famílias

O Fed elevou os juros em 25 pontos-base no mês passado, para a faixa entre 3,75% e 4%, o primeiro aumento desde 2023. Mesmo assim, contratos futuros precificavam menos de 10% de chance de novo aumento nesta reunião. Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, afirma que a inflação ainda é o principal problema da economia americana, com sinais de que está se tornando mais generalizada. Para os consumidores, isso significa custos de crédito muito elevados por tempo indeterminado. Ela acrescentou que, por ser véspera de eleição, o Fed não deve agir em outubro.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso de levar a inflação à meta de 2%. Um economista do Bank of America, Aditya Bhave, alertou em nota de 23 de outubro que, se o Fed mantiver os juros, os mercados podem questionar a credibilidade da instituição no combate à inflação.

Como a decisão afeta crédito, imóveis e poupança

A taxa de referência do Fed influencia diretamente o que os bancos cobram entre si em empréstimos de curtíssimo prazo, e isso repercute em toda a cadeia de crédito ao consumidor. Cartões de crédito com taxa variável acompanham de perto a taxa básica, e a taxa média de juros em novas ofertas de cartão está em 23,96% ao ano, segundo levantamento do LendingTree.

Financiamentos imobiliários respondem mais às expectativas de inflação e aos rendimentos dos títulos do U.S. Treasury. Com o rendimento do título de 10 anos próximo de 5%, a taxa média de hipoteca de 30 anos ficou em torno de 7,4%, de acordo com o Mortgage News Daily. Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s, observa que as taxas de longo prazo causam mais dano ao orçamento das famílias, pois pesam sobre refinanciamentos, compra de imóveis e venda de veículos.

Por outro lado, quem poupa se beneficia: as taxas elevadas mantêm os rendimentos de contas de poupança de alto rendimento em patamares atrativos, um dos poucos efeitos positivos do ciclo atual para o consumidor comum.

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Sobre Ary Ribeiro

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