OBMEP 2023: 64 alunos premiados na regional de Nova Venécia

As medalhas da OBMEP 2023 só chegaram às mãos dos alunos capixabas em agosto de 2024, quase um ano depois da edição que as gerou. Na regional de Nova Venécia, 64 estudantes foram chamados para receber a premiação ao longo de uma única semana, em cerimônias espalhadas pelos municípios onde eles estudam — e não num evento único. Somado o Espírito Santo inteiro, a mesma edição rendeu prêmio a 866 estudantes. Todas as solenidades descritas aqui já ocorreram: o texto vale hoje como registro do que houve, não como aviso de programação.

A semana de entregas, dia a dia

A Superintendência Regional de Educação (SRE) de Nova Venécia optou por levar a solenidade a cada cidade em vez de reunir todo mundo num só endereço. O calendário que a nota da Secretaria descreve é este:

  • Segunda-feira (19) — premiados dos municípios de Boa Esperança, Pinheiros e Mucurici.
  • Terça-feira (20) — alunos de Vila Valério e São Gabriel da Palha.
  • Quinta-feira (22)27 estudantes do próprio município de Nova Venécia, no auditório da SRE.
  • Sexta-feira (23) — estudantes de Vila Pavão e Montanha.

Dos quatro dias, apenas um vem acompanhado de número: os 27 da quinta-feira. Para os demais municípios a nota não informa quantos alunos foram chamados, de modo que não há como saber como os 64 se distribuem pela regional. A quarta-feira (21) não aparece no relato, e o material não diz se houve cerimônia naquele dia nem se restaram cidades da regional fora dessa semana.

O que os números 866 e 64 estão contando

Aqui vale ler devagar, porque a palavra medalha puxa a leitura para o lado errado. A Secretaria escreve que 866 alunos do Estado inteiro foram premiados com medalha regional na edição 2023, e que, na regional de Nova Venécia, são 64 os contemplados que estavam recebendo o prêmio naquela semana. A contagem, portanto, é de pessoas, e não de peças de metal. Em nenhum trecho o material apresenta um total de medalhas, e tampouco esclarece se algum estudante levou mais de uma.

Fica de fora também aquela que costuma ser a primeira pergunta de quem lê notícia de olimpíada: de que tipo é cada medalha. O comunicado trata o conjunto inteiro como medalhas regionais e não separa ouro, prata e bronze — nem no total do Estado, nem entre os 64 da regional. Também não explica em que a medalha regional se diferencia de outras faixas de reconhecimento da competição, se é que elas existem.

Qual é essa olimpíada, e o que a nota cala sobre ela

O nome por extenso está no próprio texto da Secretaria: Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas, resumida na sigla OBMEP. Repare no fecho da expressão — a rede privada também cabe na disputa, embora todas as unidades citadas neste material sejam públicas: a escola nomeada é municipal e quem conduz as entregas é a rede estadual.

Daí em diante, o comunicado silencia sobre a competição em si. Ele não informa quem organiza a OBMEP em âmbito nacional, não diz quantos estudantes disputaram a edição 2023 no Brasil nem no Espírito Santo, não descreve as fases da prova e não apresenta o critério que separa quem leva medalha de quem leva certificado de Menção Honrosa. Sem o número de participantes, os 866 capixabas premiados ficam sem escala: não se sabe de que universo eles saíram, e um mesmo número pode representar muito ou pouco conforme o tamanho da disputa.

Como as medalhas da OBMEP 2023 foram distribuídas: 11 regionais

A premiação estadual não saiu de um ato central. Ela foi fatiada entre as Superintendências Regionais de Educação, e o Estado tem 11 delas ligadas à Secretaria da Educação: SRE Afonso Cláudio, SRE Barra de São Francisco, SRE Carapina, SRE Cariacica, SRE Colatina, SRE Cachoeiro de Itapemirim, SRE Guaçuí, SRE Linhares, SRE Nova Venécia, SRE São Mateus e SRE Vila Velha. A relação nominal fecha com o total declarado.

Esse desenho explica por que uma única edição rendeu cerimônias em datas tão distantes umas das outras: cada regional marcou a sua. Poucas semanas depois desta publicação, as regionais de Barra de São Francisco e Vila Velha realizaram as entregas da mesma edição; e só em dezembro de 2024, meses adiante, chegou a vez dos estudantes da regional de Linhares. As duas matérias são posteriores a esta e mostram o mesmo ciclo de premiação se arrastando por quatro meses de calendário.

As duas vozes que o material traz

A superintendente da SRE Nova Venécia, Adriana Bonatto, justificou a escolha de municipalizar a entrega pelo efeito sobre quem assiste:

“Realizar a entrega para os medalhistas da OBMEP em cada município tem sido marcante em nossa regional, pois dessa forma estamos oportunizando às famílias e comunidade escolar vivenciar esse momento de orgulho dos estudantes, fruto de toda dedicação e aprendizado. Agradecemos à equipe da OBMEP no Espírito Santo, aos servidores da SRE Nova Venécia, aos diretores, professores, secretários municipais de educação que contribuíram em toda a organização das cerimônias”

A avaliação é da superintendente da SRE Nova Venécia, Adriana Bonatto.

Em Vila Valério, a escola saiu da menção honrosa para a medalha

O relato mais concreto do material vem da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Maria Luiza Jorge dos Reis, em Vila Valério. Segundo o diretor da unidade, Aroldo Kapiche, até então os alunos que se destacavam saíam com certificado de Menção Honrosa; nesta edição, a escola alcançou medalha:

“Todos os anos, nossos alunos participam da OBMEP. Sempre incentivamos os alunos a se prepararem durante todo o ano para as avaliações. Em anos anteriores sempre alguns receberam certificado de Menção Honrosa, mas dessa vez foi alcançada a tão sonhada medalha. Isso com certeza trará incentivos aos outros alunos também se dedicarem para participar das próximas avaliações que virão”

A avaliação é do diretor da EMEF Maria Luiza Jorge dos Reis, Aroldo Kapiche. O material não informa quantos estudantes daquela escola foram premiados nem em que ano escolar eles estavam.

Ninguém aparece nomeado entre os premiados

Há uma ausência que muda o alcance da notícia: o comunicado não traz a relação dos estudantes premiados. Nenhum dos 64 da regional aparece com nome, escola, ano escolar ou tipo de medalha. Os dois nomes próprios do texto são de profissionais que respondem pela organização das cerimônias — a superintendente e o diretor de escola —, e não de quem subiu ao palco para receber. Quem chega aqui querendo conferir se um aluno específico está na lista não encontra a resposta, e o material não indica onde essa relação estaria publicada.

O endereço que a Secretaria indicou não abre mais

Para saber onde e a que horas cada solenidade já marcada aconteceria, a nota remetia o leitor ao site do programa Matemática na Rede. Conferido agora, esse endereço deixou de abrir: a página responde como inexistente. Como as solenidades descritas já aconteceram, a queda não tira serviço de quem lê hoje — mas fecha a única via que o material oferecia para checar a programação e, se houvesse, a lista de premiados.

O que fica sem resposta

Reunindo o que ficou de fora, sobram lacunas de peso. A nota não diz quantos alunos cada município premiou, salvo os 27 de Nova Venécia. Não informa o metal de cada medalha nem quantas foram de cada tipo. Não registra se os 64 já haviam recebido todos ao fim daquela sexta-feira, nem se sobravam cidades da regional a atender. Não explica o critério de premiação que separa medalha de Menção Honrosa e não diz quantos concorreram na edição 2023.

Falta ainda o que talvez mais interesse a uma família: o que a medalha regional dá ao estudante além do reconhecimento — se vem com certificado, se abre etapa seguinte, se dá direito a bolsa ou a qualquer contrapartida. E, do lado da gestão, o texto não menciona de onde saiu o custo das cerimônias e das peças, nem quem produziu as medalhas regionais.

Uma observação sobre a natureza do documento, para o leitor calibrar o que acabou de ler: trata-se de comunicado de assessoria de uma secretaria estadual, escrito para divulgar iniciativa da própria pasta. As duas falas reproduzidas são de pessoas ligadas à rede de ensino, uma delas servidora da própria Secretaria. Nenhuma família, nenhum estudante e nenhum professor de fora da organização foi ouvido. Não é lacuna de apuração: é o formato do papel — e quem o assina não tinha motivo para apresentar contraponto.

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