Médicos-veterinários estão constantemente expostos a riscos durante a prática clínica, e por isso o atendimento segue protocolos de segurança contra mordidas, arranhões e contato com material biológico. Em material publicado em 14 de outubro de 2025, a médica-veterinária Sibele R. Konno descreveu esses cuidados. Boa parte deles não fica só com o profissional: o que o tutor informa antes da consulta, quem coloca a focinheira e como o animal chega à sala mudam o risco do atendimento.
Antes de qualquer técnica, vale entender por que um animal tranquilo em casa reage na clínica. As orientações partem de medo, estresse e ansiedade — o manejo descrito serve para reduzir os gatilhos dessas reações, não para corrigir o temperamento do animal nem para responsabilizar quem o levou.
Pelo que o material sustenta, cabe ao tutor:
- contar o histórico de comportamento e a procedência do animal na conversa inicial com o profissional;
- colocar a focinheira quando o dispositivo for indicado, ou auxiliar o médico-veterinário se ele precisar fazer isso;
- levar o gato na caixa de transporte e deixar que ele saia no próprio tempo;
- saber que, sem urgência, o atendimento pode ser dividido em partes;
- saber que sedação ou anestesia pode ser proposta para viabilizar a manipulação.
O histórico que o tutor conta antes muda o atendimento
Para os cães que chegam bravos, o conselho de Sibele é ter paciência, estar sempre alerta e conhecer os riscos que o animal oferece com base em três dados: tamanho, procedência e histórico de comportamento. Os dois últimos só existem se alguém contar.
Por isso a orientação inclui uma anamnese rápida com o tutor — a conversa inicial em que o profissional levanta o histórico do paciente — contemplando não só a queixa principal, mas também pontos sobre o comportamento do animal. Se o cão já mordeu, se reage a estranhos, se piora quando há outros animais por perto: isso é informação clínica, não confissão.
Entender os sinais que os cães emitem por medo, estresse e ansiedade é essencial para realizar treinos e criar familiaridade afim de diminuir a agressividade
A observação é da médica-veterinária Sibele R. Konno.
Focinheira: por que o pedido costuma chegar ao tutor
Quando o atendimento exige focinheira, o ideal é que o responsável pelo animal coloque o dispositivo de segurança, porque esse é considerado um trabalho de confiança. Caso o médico-veterinário precise fazer o procedimento, deve ser cuidadoso e sempre contar com o auxílio do tutor. Não é transferência de responsabilidade: é o reconhecimento de que a mão conhecida assusta menos.
O ambiente pesa tanto quanto o equipamento.
Deve-se tentar diminuir os gatilhos de estresse ao paciente, como a presença de outros animais, odores muito fortes e ruídos excessivos. Também é fundamental conhecer bem o ambiente em que fará o atendimento, avaliando rotas de fuga e tamanho da sala, ter em mãos os materiais que irá utilizar e o número de pessoas dentro do ambiente de atendimento
A explicação é de Sibele R. Konno. Entre os itens que ela manda avaliar está o número de pessoas dentro do ambiente de atendimento — sala cheia e barulho entram na lista de gatilhos, e não na de conforto.
A profissional recomenda ainda evitar olhar diretamente nos olhos do paciente, não utilizar tom de voz alto e não realizar movimentos bruscos. As recomendações são dirigidas a quem atende, mas descrevem o clima de sala que o tutor também ajuda a manter.
Quando a consulta precisa ser dividida em partes
Nem todo atendimento cabe em uma sessão, e isso pode ser combinado antes.
Se não for um caso de urgência ou emergência, pode-se explicar ao responsável que, possivelmente, o atendimento precise ser dividido em partes – inclusive em dias diferentes. E é importante deixá-lo ciente quanto a possibilidade de sedação/anestesia do paciente para tornar possível a manipulação e diminuir a chance de trauma por estresse
A avaliação é da médica-veterinária Sibele R. Konno. Valem os dois critérios que a fala traz: dividir o atendimento é opção quando não há urgência nem emergência, e a sedação ou anestesia aparece como assunto a conversar com o responsável antes, para tornar possível a manipulação e reduzir o trauma por estresse.
Com gato, o preparo começa dentro de casa
Grande parte dos cuidados adotados no atendimento de cães bravos também vale para gatos ariscos. Com felinos, a veterinária aconselha avaliar se o animal é domiciliado ou feral e se ele tende a se comportar assim sempre ou somente fora de casa — outra informação que só quem convive tem.
O preparo, segundo o material, começa em casa, no momento de colocar o animal dentro da caixa de transporte para levá-lo à consulta. Já na clínica, a indicação é respeitar o tempo do felino, desde sair da caixa de transporte até se ambientar na sala de atendimento. Se for preciso conter, a orientação é usar toalhas grandes e macias, evitar olhar nos olhos e movimentos bruscos, não pegar o animal pelo cangote e não forçá-lo a deitar de barriga para cima.
O espaço também entra na conta.
Algumas condutas ambientais que podem ser empregadas é o uso de feromônios artificiais, que auxiliam para que o estresse não aumente, assim como ter um espaço preparado com sala de espera adequada e sala de atendimento exclusiva para felinos, por exemplo
A afirmação é de Sibele R. Konno, que informa ainda que o uso de sedativos ou anestésicos pode ser indicado no caso de animais ferais ou que estejam em estado de estresse intenso.
Por que o profissional atende de manga comprida, calçado fechado e luva
A vestimenta apontada como mais adequada envolve calçados fechados, preferencialmente de material impermeável, calça comprida e camisa ou jaleco que cubra todo o braço. Entre os equipamentos de proteção individual mais importantes da área estão o uniforme — avental, jaleco ou pijama cirúrgico — e o calçado fechado e antiderrapante.
Dependendo do animal que está sendo atendido e do tipo de atendimento, podemos incluir outros EPIs, como óculos de proteção, máscara, luvas de procedimentos, toalhas, avental e óculos de proteção plumbífero e protetor de tireoide
A informação é da médica-veterinária Sibele R. Konno. Vale traduzir os dois últimos itens: plumbífero quer dizer com chumbo, metal que barra radiação, e o protetor de tireoide cobre a região do pescoço. São peças de proteção contra radiação, usadas em exames de imagem.
A luva tem regra própria. O uso é indicado quando se vai manipular material biológico, como urina e fezes, ao lidar com feridas, ao fazer a inspeção da cavidade bucal e na realização de limpeza dos olhos.
A luva pode ser dispensada no momento do carinho, ao oferecer petiscos aos animais e na manipulação de pacientes que não apresentem risco de transmissão de doenças infectocontagiosas
A ressalva encerra a orientação de Sibele R. Konno.
A limpeza da mesa entre um animal e outro
O material trata da transmissão de doenças em duas direções: entre os próprios animais atendidos e dos animais para os médicos-veterinários. Não há lista de doenças específicas — o texto fala em doenças infectocontagiosas e nas vias de contato que o manejo procura fechar: material biológico, feridas, cavidade bucal e olhos. É por isso que a higiene entre um atendimento e outro aparece como parte do protocolo, e não como capricho.
A mesa de atendimento é classificada como área não crítica ou semicrítica. Tratando-se de doenças infectocontagiosas e de seus modos de transmissão, é possível considerá-la semicrítica.
A limpeza da mesa deve ser feita, primeiramente, retirando os resíduos biológicos com um papel seco. Em seguida, deve-se aplicar o desinfetante em toda a superfície e deixar agir pelo tempo recomendado pelo fabricante. Por último, pode-se retirar o excesso do produto e deixar secar naturalmente
A explicação é da médica-veterinária Sibele R. Konno, que cita a aplicação de vapor de água ou de raio ionizante como procedimento extra de limpeza.
Sobre o produto de limpeza, ela relata que os de melhor ação para as principais doenças infectocontagiosas conhecidas são amônia quaternárias de 4ª ou 5ª geração, peróxido de oxigênio, hipoclorito de sódio e aldeídos.
Todos possuem ação desinfetante e agem em superfícies, apresentando tempo de ação médio de 5 a 15 minutos. A depender da concentração, também podem ter ação esterilizante (peróxido de oxigênio)
O relato é de Sibele R. Konno. O tempo médio de 5 a 15 minutos ajuda a entender o intervalo entre um atendimento e outro: o desinfetante precisa agir sobre a superfície antes de o excesso ser retirado e de a mesa secar.
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