A solenidade militar do Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira foi realizada na quinta-feira (23), na Base Aérea de Brasília. O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, conduziu a cerimônia ao lado do comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e o programa incluiu revista à tropa, imposição de condecorações e uma encenação sobre a história da aviação no país.
A data marca os 119 anos do voo do 14-Bis, de Alberto Santos-Dumont, e é comemorada todo dia 23 de outubro. O mesmo 23 de outubro reúne duas efemérides no calendário militar: o Dia do Aviador, que homenageia quem voa, e o dia da própria Força Aérea Brasileira.
Por que o Dia do Aviador cai em 23 de outubro
A escolha da data não é simbólica: ela aponta para um voo específico, realizado em 1906, em que o 14-Bis deixou o solo com Santos-Dumont a bordo. O que sustenta o marco é o modo da decolagem. A aeronave subiu impulsionada apenas pelo próprio motor, sem catapulta, sem rampa de lançamento e sem reboque — e, por isso, é adotada na tradição aeronáutica brasileira como referência do voo do mais pesado que o ar.
Esse detalhe explica por que a comemoração não é apenas uma festa de corporação. Ela fixa uma origem técnica, e é a partir dela que a Força Aérea organiza, a cada ano, a entrega de condecorações e as homenagens a nomes da própria história.
O que é a Ordem do Mérito Aeronáutico
O ponto central da cerimônia foi a imposição de medalhas da Ordem do Mérito Aeronáutico. É uma condecoração concedida pela Aeronáutica a quem prestou serviços considerados relevantes à aviação — e não se restringe a militares: personalidades civis e organizações também entram na lista. A distinção é atribuída em graus diferentes, conforme a natureza e o alcance do serviço reconhecido.
Na prática, é o instrumento pelo qual a Força Aérea registra formalmente uma contribuição de fora da tropa: uma instituição de pesquisa, uma empresa do setor, um profissional que atuou em segurança de voo ou em formação técnica podem receber o mesmo tipo de reconhecimento dado a oficiais.
Revista à tropa: o que acontece antes das medalhas
Antes da entrega das condecorações, o ministro fez a revista à tropa. O gesto é protocolar e abre praticamente toda solenidade militar: a autoridade que preside percorre a frente das tropas já formadas, e a passagem funciona como conferência de apresentação e como cumprimento formal ao efetivo perfilado. Não há decisão nem anúncio nessa etapa — ela é ritual, e sua ausência é que seria a exceção.
Do 14-Bis ao KC-390: o que a encenação mostrou
A parte aberta ao público foi uma apresentação a céu aberto que percorreu momentos da história aeronáutica, do voo do 14-Bis até dois programas atuais: o KC-390 Millennium e o F-39 Gripen. O primeiro é uma aeronave de transporte militar, também empregada em reabastecimento em voo. O segundo é a designação brasileira de um caça multimissão.
O roteiro destacou ainda três nomes da história da aviação no país: Nero Moura, Salgado Filho e Casimiro Montenegro Filho.
Quem acompanhou a solenidade
Estiveram na cerimônia o comandante do Exército, General Tomás Paiva, e o chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Bettega Corrêa, além de ministros de Estado e embaixadores.
Em discurso, o Tenente-Brigadeiro Damasceno afirmou que a Força Aérea busca ampliar parcerias com o setor empresarial, com o objetivo de gerar empregos, atrair investimentos e estimular a indústria de defesa.
Fotos: Érico Alves / Luis Carbo
Fonte: Ministério da Defesa
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