A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) e a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em Guarapari nesta sexta-feira (31), em uma operação conjunta contra integrantes de um grupo criminoso que, segundo a Polícia Civil, atua no tráfico ilícito de drogas no bairro Ipiranga. Três homens foram presos: dois, de 38 e 26 anos, no próprio Ipiranga, e um terceiro, de 37 anos, no bairro Centro.
A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, com apoio da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Guarapari, e pelo 10º Batalhão da Polícia Militar. Os três foram autuados em flagrante — cada um por um enquadramento diferente — e encaminhados ao sistema prisional após os procedimentos de praxe.
Por que duas polícias diferentes atuam na mesma ação
Operação conjunta é o nome que se dá à ação planejada e executada ao mesmo tempo por órgãos que têm atribuições distintas. A polícia militar faz o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública: é a que está fardada na rua, com efetivo e viaturas. A polícia civil é polícia judiciária: investiga, reúne provas, identifica os alvos, lavra o auto de prisão em flagrante e conduz o inquérito que embasa a acusação.
Quando o cumprimento precisa ser simultâneo em vários endereços — como aqui, em dois bairros da cidade —, nenhuma das duas dá conta sozinha. Uma leva o levantamento de quem, onde e quando; a outra, o contingente necessário para chegar aos endereços ao mesmo tempo. Combinar as duas coisas é o que evita que o cumprimento em um endereço avise os demais.
O que significa cumprir cinco mandados de busca e apreensão
O mandado de busca e apreensão é uma autorização assinada por um juiz antes da ação. Ele não é uma permissão genérica: indica o endereço, o que se procura e o prazo em que pode ser cumprido. Sem esse documento, a entrada em residência sem consentimento do morador só se sustenta em situações excepcionais previstas em lei.
Por isso o número importa. Cinco mandados significam cinco autorizações individuais, cada uma pedida com base no que a investigação já havia reunido e cada uma analisada por um juiz. E há um efeito prático que o balanço não costuma explicar: o material recolhido fora dos limites do mandado pode ser questionado depois pela defesa, o que faz da delimitação uma questão de prova, não de burocracia.
O que foi apreendido durante as diligências
- aproximadamente três quilos de maconha;
- 48 unidades de ecstasy;
- dois carregadores de pistola de calibre 9mm e 25 munições do mesmo calibre;
- R$ 5.678,00 em espécie e uma nota falsificada de R$ 200,00;
- um veículo Hyundai HB20 e um Toyota Corolla.
Material apreendido não é prova pronta. Ele é catalogado, submetido a perícia e juntado ao inquérito, e é a perícia que confirma o que é cada item — de que substância se trata, se a munição é mesmo de uso restrito, se a cédula é falsa. Até esse laudo, o que existe é a descrição feita por quem apreendeu.
Cada preso responde por uma acusação diferente
É o ponto que costuma se perder quando três prisões viram uma manchete só: as autuações são individuais. O que é imputado a uma pessoa não vale para as outras duas, e nenhuma delas responde pelo conjunto do que foi apreendido só por ter sido presa na mesma operação. Conforme a Polícia Civil informou:
- o suspeito de 38 anos foi autuado em flagrante por tráfico de drogas;
- o suspeito de 37 anos foi autuado em flagrante por porte ilegal de munição de uso restrito;
- houve ainda uma autuação em flagrante por falsificar, fabricando ou alterando, moeda metálica ou papel-moeda de curso legal — enquadramento que a nota descreve sem informar a qual dos presos se refere.
O terceiro enquadramento aparece aqui sem idade e sem bairro justamente por isso. Somar uma acusação à pessoa errada é o tipo de erro que nenhuma correção posterior desfaz, e a informação divulgada não permite fazer essa ligação com segurança.
Autuado em flagrante não é o mesmo que condenado
A prisão em flagrante é a que acontece durante o crime ou logo depois dele. Quem prende lavra o auto, e a prisão precisa ser comunicada em seguida a um juiz — é a única modalidade que a Polícia Civil menciona neste caso. Em até 24 horas, a pessoa presa passa por audiência de custódia, que decide duas coisas apenas: se a prisão foi legal e se ela aguarda o processo solta ou presa. Essa audiência não julga culpa e não antecipa pena.
Depois vem o inquérito, que reúne perícias, depoimentos e o que mais a investigação produzir. Concluído, ele segue para o órgão de acusação, que decide se apresenta denúncia, se pede mais diligências ou se arquiva. Só se a denúncia for aceita começa o processo, em que a defesa tem direito de contestar cada prova, apresentar as suas e questionar como a apreensão foi feita.
Condenação existe apenas ao final desse caminho. Até lá, quem foi preso segue na condição de suspeito ou investigado — e responder por um crime, na linguagem do processo, quer dizer ser acusado dele, não tê-lo praticado.
Como informar a polícia em Guarapari
Para situação de emergência — crime em andamento, pessoa em risco imediato, movimentação que exija resposta na hora —, o número é o 190, que funciona 24 horas.
Para repassar informação sem se identificar, o canal é o 181. A ligação é gratuita, não pede nome nem telefone e não aparece na conta. Informações de bairro, ponto de referência, horário e descrição de veículo são o tipo de dado que alimenta esse tipo de investigação, que costuma levar semanas de levantamento antes de qualquer mandado ser pedido.
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