Alunos do sistema prisional visitam Ruínas de Queimados — Direto Notícias

Alunos do sistema prisional visitam Ruínas de Queimados

Estudantes privados de liberdade da EEEFM Cora Coralina, escola que funciona dentro do sistema prisional em Vila Velha, fizeram uma visita técnica às Ruínas de Queimados, na Serra. A saída foi conduzida por professores da unidade e resultou de acordo entre a escola, a Secretaria da Justiça (Sejus) e a direção da unidade prisional.

Por que Queimados

As Ruínas de Queimados são símbolo da luta e da memória da população negra capixaba. Escolher esse destino para uma turma do sistema prisional não é detalhe de roteiro: coloca o estudante diante de um patrimônio que trata de resistência e pertencimento — os mesmos temas que a escola quer discutir com ele.

Durante a visita, os participantes conheceram a história do local e fizeram registros fotográficos, desenhos e anotações. Depois vieram uma roda de conversa e a produção de escrevivências: textos, crônicas e poesias escritos a partir da própria experiência.

Escrevivência nomeia a escrita que parte da vivência de quem escreve, e não de um tema externo dado pelo professor. Aplicado ali, o exercício pede que o estudante conte o que viu a partir do lugar onde está — o que é uma proposta pedagógica de outra ordem.

“Penso que a educação é um pilar fundamental para a transformação do ser humano, e poder proporcionar aos alunos internos momentos como esse é gratificante. Foi uma oportunidade de aprendizado, reflexão e esperança”

A avaliação é do professor de Física Carlos Gilmar.

O que foi preciso para a saída acontecer

A pedagoga responsável pelo projeto, Jodismara Vieira, explicou que a visita só foi possível pela parceria entre a escola, a Sejus e a direção da unidade prisional, com toda a segurança necessária para a atividade.

É o ponto que separa esse tipo de aula de qualquer outra: saída externa com estudante em cumprimento de pena exige autorização, escolta e planejamento que não cabem na rotina escolar comum. Cada uma dessas visitas é uma exceção construída.

A palavra de quem participou

“Para nós que estamos encarcerados, é uma grande oportunidade para aprender na prática e ainda conseguir deixar o cotidiano da unidade prisional.”

“Sempre é tempo de aprender. Nunca imaginei que, dentro do sistema prisional, poderia realizar uma saída com professores e colegas para conhecer mais sobre história e geografia”

Os dois relatos são de estudantes que participaram da visita.

Educação dentro do sistema prisional

A escola estadual dentro da unidade prisional atende quem cumpre pena e quer continuar estudando. Além do direito à educação, o estudo tem efeito previsto na execução penal: as horas de aula contam para remição, o mecanismo que abate dias de pena a cumprir.

Não é o único caso no Estado: detentos capixabas também concluíram cursos de qualificação em barbearia e informática pela EJA.

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