
O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento formal para apurar as condições estruturais da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna (SC). A iniciativa ocorre após laudos técnicos apontarem falhas graves na estrutura estaiada da ponte, incluindo o rompimento parcial de cabos que sustentam o tabuleiro da via ao longo da BR-101.
De acordo com o órgão federal, “laudos técnicos identificaram o rompimento parcial dos cabos 4E e 4D no Pilar 35 (entre as aduelas AD.6 e AD.7 do vão central)”. Dessa forma, a apuração busca identificar as causas das falhas recentes e cobrar medidas de segurança para quem utiliza a via diariamente.
A ponte, com 2,8 quilômetros de extensão, foi interditada por 10 dias para reparos emergenciais. Por outro lado, mesmo após a reabertura, permanecem restrições para cargas excedentes superiores a 10 toneladas por eixo e veículos com largura acima de 4 metros, além do tráfego liberado em apenas uma faixa por sentido.
Histórico de falhas na Ponte Anita Garibaldi
Certamente, a interdição recente não representa um caso isolado. Em 2022, a concessionária CCR ViaCosteira já havia identificado problemas semelhantes, com rompimento de barras de ligação da laje inferior e risco à estabilidade da estrutura. Consequentemente, veículos pesados precisaram ser desviados temporariamente para a Ponte das Laranjeiras (Cabeçuda).
Nesse sentido, testes de carga realizados em 2023 sinalizaram o restabelecimento da rigidez da Ponte Anita Garibaldi. No entanto, os problemas voltaram a se manifestar, levantando dúvidas sobre a eficácia das intervenções anteriores e a durabilidade das soluções adotadas.
Inaugurada em 2015, a estrutura é uma ligação estratégica entre cidades catarinenses do litoral sul e o Rio Grande do Sul, sendo fundamental para o escoamento da produção da Região Sul do país. Portanto, qualquer restrição operacional gera impacto direto no fluxo logístico regional.
ANTT investiga possíveis vícios de construção
Além disso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou ao MPF que instaurou processo administrativo para verificar se os problemas recorrentes têm relação com “eventuais vícios ocultos de construção”. Ou seja, a suspeita é de que defeitos originários da obra possam estar na raiz das falhas repetidas.
A obra foi executada sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e integrada ao contrato de concessão da BR-101 em 2020. Em outras palavras, a responsabilidade sobre a estrutura passou por diferentes gestores ao longo dos anos, o que torna a investigação ainda mais complexa.
CCR ViaCosteira monitora a estrutura da ponte
A CCR ViaCosteira afirmou que segue realizando estudos e monitorando a Ponte Anita Garibaldi para definir novos reforços estruturais. Assim sendo, a concessionária garantiu que a estrutura principal da ponte permanece íntegra, embora as restrições operacionais ainda estejam em vigor.
Finalmente, o MPF acompanha as medidas adotadas e deve cobrar respostas concretas tanto da concessionária quanto dos órgãos reguladores, garantindo segurança aos usuários que dependem diariamente da travessia.
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