TCE-ES Acende Alerta Vermelho Sobre Contrato Suspeito em Guarapari

TCE-ES Acende Alerta Vermelho Sobre Contrato Suspeito em Guarapari

TCE-ES Acende Alerta Vermelho Sobre Contrato Suspeito em Guarapari

Um contrato milionário firmado pela Prefeitura de Guarapari com uma empresa de engenharia está sob forte escrutínio do Tribunal de Contas do Espírito Santo. A área técnica da corte emitiu, em 2 de junho de 2026, uma Manifestação Técnica de Cautelar recomendando a suspensão imediata do Contrato 37/2026, celebrado com a Thompson e Duarte Engenharia Ltda. O valor em risco supera os R$ 8,1 milhões dos cofres públicos municipais.

Dessa forma, o caso envolve diretamente o prefeito Rodrigo Lemos Borges, o secretário de Administração Ricardo Rios do Sacramento e o secretário de Obras Ygor Barbosa Credi-Dio, apontados formalmente no documento como responsáveis pela contratação questionada. O relator do processo é o conselheiro Sebastião Carlos Ranna de Macedo.

Como a Prefeitura Teria Burlado as Regras

Primeiramente, o ponto central das irregularidades está no uso indevido de uma Ata de Registro de Preços da Sedurb, originalmente destinada a situações de emergência e calamidade pública. Guarapari, contudo, não se encontrava em nenhuma situação excepcional que justificasse tal adesão. O contrato foi utilizado para serviços comuns de manutenção de vias e operações de “tapa-buracos”, ou seja, atividades rotineiras da administração municipal.

Além disso, a auditora responsável, Marina de Oliveira Polese, destacou o elevado risco de pagamento por serviços não executados. A natureza do contrato, baseada em locação de equipamentos, dificulta qualquer controle ou fiscalização posterior por parte dos órgãos competentes.

Indícios de Direcionamento Levantam Suspeitas

Em contraste com o que seria esperado num processo competitivo, o relatório técnico identificou que a empresa contratada possui sede em Iconha — assim como todas as demais empresas que apresentaram cotações de preços para supostamente validar o valor do contrato. Consequentemente, esse cenário levanta sérias suspeitas sobre a lisura e a competitividade real do processo licitatório.

Por outro lado, a situação se agrava pelo histórico da empresa. A manifestação técnica do TCE-ES menciona expressamente operações da Polícia Federal relacionadas a ilegalidades em contratações semelhantes no município de Iconha envolvendo a mesma Thompson e Duarte Engenharia. Nesse sentido, o órgão classificou o risco como “fraude” de forma explícita no documento oficial.

O Que Acontece se a Prefeitura Ignorar a Recomendação

Certamente, a decisão do TCE-ES não é apenas uma recomendação simbólica. O Tribunal determinou que a Prefeitura de Guarapari suspenda o contrato até que todas as suspeitas de superfaturamento e ilegalidade sejam devidamente esclarecidas. Os processos relacionados tramitam sob os números 01669/2026 e 01670/2026.

Finalmente, caso os gestores municipais descumpram a determinação cautelar, ficam sujeitos a multas pessoais. Assim sendo, o caso representa mais um sinal de alerta sobre a fiscalização de contratos públicos no Espírito Santo e reforça a importância do controle externo na proteção do dinheiro público.

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