Especialistas Revelam Por Que o Brasil Virou Alvo Prioritário do Ransomware

Especialistas Revelam Por Que o Brasil Virou Alvo Prioritário do Ransomware

O Brasil entrou, pela primeira vez, na lista dos países mais atacados por ransomware no mundo. Dados recentes da plataforma Ransomware.live mostram que, em junho, o país ocupou a terceira posição global em número de ataques registrados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. Esse resultado acende um alerta vermelho para empresas e instituições brasileiras.

Certamente, a novidade chama atenção: nunca antes o Brasil havia aparecido entre as dez nações mais afetadas desde que a plataforma começou a divulgar seus levantamentos mensais, em janeiro. Para especialistas em segurança digital, esse salto não é coincidência — e sim o reflexo de uma estratégia deliberada por parte dos grupos criminosos.

Os Números Que Colocam o Brasil no Radar Global

Em junho, foram registrados 23 ataques de ransomware contra alvos brasileiros, segundo o levantamento da Cohesity, empresa especializada em segurança de dados com inteligência artificial. Os Estados Unidos lideraram com 199 casos, seguidos pela Alemanha com 49. Na sequência, aparecem Reino Unido (21), Índia e Canadá (20 cada), França e Itália (15 cada), México (14) e Tailândia (13).

Nesse sentido, o total global de vítimas em junho chegou a 708 organizações atingidas, representando uma queda de 10,5% em relação às 791 de maio. Por outro lado, os especialistas alertam que esse número ainda é historicamente elevado quando comparado à média dos últimos 12 meses, período em que o pico chegou a 882 vítimas em dezembro.

Por Que Criminosos Miram Países em Desenvolvimento

Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina, aponta que a ascensão do Brasil, Índia e Tailândia como novos alvos frequentes reflete uma mudança estratégica dos grupos criminosos. Ou seja, esses países passaram a ser vistos como jurisdições com menor capacidade de resposta a incidentes e coordenação limitada com forças de segurança internacionais.

Dessa forma, os ataques de ransomware funcionam como um bloqueio digital: softwares maliciosos sequestram sistemas inteiros e os criminosos exigem pagamento de resgate, sob ameaça de vazar ou destruir permanentemente os dados capturados. Consequentemente, empresas despreparadas tendem a ceder às exigências, tornando o crime ainda mais lucrativo.

Setores Mais Vulneráveis no Cenário Atual

Primeiramente, o mercado B2B se manteve como o segmento mais afetado em junho, com 123 vítimas registradas. Além disso, manufatura (83), tecnologia (56) e saúde (52) figuram entre os mais impactados. De fato, o único setor que registrou crescimento no período foi o de serviços ao consumidor, com alta de 1,9%.

Finalmente, os dados reforçam que nenhum setor está imune. Assim sendo, investir em maturidade digital, planos de resposta a incidentes e cooperação com autoridades de segurança deixa de ser opcional — e se torna uma necessidade urgente para empresas que operam no Brasil.

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