
O autor de Rich Dad, Poor Dad, um dos livros de finanças pessoais mais vendidos de todos os tempos, vive hoje uma situação que parece saída de um roteiro de ironia: Robert Kiyosaki em dívida de US$ 1,2 bilhão, enquanto seu nome segue associado à promessa de enriquecimento. Publicado em 1997, o livro já vendeu mais de 44 mil cópias e foi traduzido para pelo menos 43 idiomas.
A premissa que consagrou Kiyosaki era simples e poderosa. Ele descrevia dois pais: um rico, que ensinava os segredos do dinheiro, e um pobre, que servia de exemplo a evitar. Essa dualidade rendeu décadas de royalties, seminários e uma marca global. Por outro lado, os bastidores financeiros do autor contam uma história bem diferente.
Robert Kiyosaki em dívida: como o guru chegou a esse ponto
Em 2012, a Rich Global LLC, empresa que vendia seminários baseados no livro, declarou falência após um juiz determinar o pagamento de US$ 24 mil em indenização a um ex-parceiro de negócios. Além disso, em 2008, Kiyosaki travou uma disputa judicial com Sharon Lechter, coautora original da obra, pelo direito autoral do livro. Hoje, ele aparece como único autor.
Consequentemente, a trajetória financeira do autor acumulou mais tropeços do que seus livros costumam admitir. Uma ação coletiva contra a Rich Dad Education alegou que os seminários tinham como único objetivo vender cursos adicionais que chegavam a US$ 64.899 por aluno. O caso foi encerrado por razões processuais, sem julgamento de mérito.
A vida em Phoenix e os paradoxos do investidor
Aos 79 anos, Kiyosaki mora em uma residência comprada por US$ 4,5 mil em Phoenix, no Arizona, após um divórcio. Ele afirma gerar cerca de US$ 250.000 por mês com investimentos em imóveis, poços de petróleo e criação de gado Wagyu. Dessa forma, mesmo com dívidas bilionárias, o autor sustenta um estilo de vida que reforça sua imagem pública.
Kiyosaki também escreveu dois livros com Donald Trump — Why We Want You to Be Rich (2006) e Midas Touch (2011) — e manteve relações próximas com figuras como Oprah Winfrey e Boris Johnson. Nesse sentido, sua rede de influência permanece intacta, independentemente do saldo bancário.
Portanto, o caso de Robert Kiyosaki em dívida expõe uma tensão fundamental: entre o que os livros de autoajuda financeira prometem e o que seus autores de fato praticam. O guru do dinheiro segue vendendo a ideia de riqueza — mesmo enquanto administra um passivo de US$ 1,2 bilhão.
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