
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman foi lançado pela NASA neste domingo (30), às 8h26, horário de Brasília, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O observatório de nova geração possui campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble e promete transformar a astronomia contemporânea. Além disso, o Brasil integra essa missão histórica de forma estratégica.
O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), por meio do Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), desenvolve o Arandu — nome que significa “sabedoria” em tupi-guarani. Trata-se de um broker de alertas astronômicos com inteligência artificial, projetado especificamente para processar, filtrar e classificar os dados gerados pelo Roman.
O que é o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman possui espelho principal de 2,4 metros de diâmetro — o mesmo tamanho do Hubble, lançado em 1990. Consequentemente, suas imagens terão resolução e sensibilidade comparáveis às do observatório clássico. A diferença fundamental, portanto, está na abrangência: o Roman registra regiões extensas do céu com elevado nível de detalhe em uma única observação.
Durante sua missão primária de cinco anos, o telescópio deverá observar mais de um bilhão de galáxias. Nesse sentido, um de seus levantamentos cobrirá cerca de 12% de todo o céu, combinando imagens e espectroscopia para investigar a formação e evolução do Universo.
Como o Arandu processa os dados do Roman
O volume de informações gerado pelo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman torna inviável qualquer análise manual. Por isso, o Arandu, desenvolvido pelo LAB-IA, utilizará inteligência artificial para organizar eventos transitórios e variáveis — como explosões estelares e variações no brilho de estrelas — entregando aos pesquisadores apenas os dados mais relevantes.
Segundo Clécio Roque De Bom, coordenador científico do CBPF e do LAB-IA, “O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial [IA] para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas”. Dessa forma, a tecnologia brasileira se torna peça essencial da missão.
Exoplanetas, supernovas e energia escura na mira
O Roman realizará observações repetidas de regiões próximas ao centro da Via Láctea. Em outras palavras, a missão poderá revelar mais de 100 mil mundos, incluindo exoplanetas e corpos que vagam pelo espaço sem orbitar uma estrela. Certamente, esses dados ampliarão o conhecimento sobre sistemas planetários da nossa galáxia.
O observatório também identificará milhares de supernovas do tipo Ia, usadas como referências para medir distâncias cósmicas e investigar a energia escura. Após o lançamento, o Roman seguirá para o ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 mil quilômetros da Terra, mesma região ocupada pelo Telescópio Espacial James Webb.
De Bom reforça que “Essa solução desenvolvida e operada localmente insere a ciência brasileira em etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico”. Finalmente, o Brasil ocupa papel central em uma das missões espaciais mais ambiciosas da atualidade.
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