Supercomputador de inteligência artificial vai ao Rio Grande do Norte em 2027

Representação visual de supercomputador de inteligência artificial com estrutura tecnológica avançada

O governo federal anunciou que o supercomputador de inteligência artificial mais potente do Brasil será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Macaíba. Com investimento superior a R$ 1 bilhão via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o equipamento deve entrar em operação em 2027 e figurar entre os 10 mais poderosos do mundo na área.

A capacidade prevista é de 7.200 petaflops, ou seja, 7,2 quintilhões de operações por segundo. Dessa forma, o Brasil passa a contar com uma infraestrutura computacional capaz de sustentar pesquisas em saúde, energia, clima, petróleo e gás, além do treinamento de modelos avançados de inteligência artificial.

Por que o Nordeste foi escolhido para o projeto

A decisão considera, primeiramente, o potencial energético do Rio Grande do Norte, especialmente na geração eólica. Por outro lado, a escolha também reflete uma estratégia deliberada de descentralização científica, já que historicamente a maior parte da infraestrutura de grande porte do País está concentrada no Sul e no Sudeste.

Nesse sentido, Samuel Xavier, coordenador do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho da UFRN, destaca que a proximidade com uma máquina dessa dimensão pode transformar o Nordeste em protagonista de grandes projetos nacionais e internacionais, funcionando como âncora para novos investimentos digitais na região.

O supercomputador de inteligência artificial vai além do hardware

Consequentemente, o impacto esperado ultrapassa a pesquisa acadêmica. Conforme Xavier, “O impacto não se limita à pesquisa. Um supercomputador desse porte demanda profissionais altamente qualificados, desenvolvimento de software, operação de infraestrutura, redes, armazenamento, segurança e uma série de serviços especializados.”

Além disso, o edital de aquisição vai além da compra de equipamentos. Nas palavras do especialista: “O próprio edital não trata a aquisição apenas como compra de equipamentos: exige a transferência de tecnologia, a formação de profissionais brasileiros, o desenvolvimento conjunto de software e parcerias com instituições de pesquisa.” A execução ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica.

Autonomia tecnológica nacional em construção

Certamente, um dos objetivos centrais do projeto é reduzir a dependência de processamento contratado no exterior. Com o supercomputador de inteligência artificial operando em solo brasileiro, dados estratégicos e modelos de IA poderão ser desenvolvidos sob governança nacional, fortalecendo a soberania tecnológica do País.

A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 para ampliar a infraestrutura tecnológica, formar profissionais e estimular pesquisa, inovação e aplicações de IA. Finalmente, o supercomputador de inteligência artificial representa não apenas uma aquisição de hardware, mas um passo concreto rumo à construção de autonomia tecnológica brasileira de longo prazo.

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