
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumulou pelo menos 157 declarações controversas desde janeiro de 2023, segundo levantamento do Poder360 repercutido pela Gazeta do Povo. Mais de 40% dessas falas foram classificadas como ofensivas a grupos sociais, minorias ou indivíduos. Esse histórico preocupa aliados e alimenta a estratégia de evitar debates televisionados durante a campanha eleitoral de 2026.
Lula lidera a maioria das pesquisas eleitorais, mas o risco de exposição ao vivo é real. A oposição poderia explorar não apenas críticas ao governo, mas também os improvisos que o presidente repete com frequência. Nesse sentido, o receio dos marqueteiros vai além da agenda lotada ou das pesquisas favoráveis.
As falas controversas de Lula que mais repercutiram
Em fevereiro de 2024, durante visita à Etiópia, Lula comparou as ações militares na Faixa de Gaza ao Holocausto, mencionando Hitler. A declaração provocou indignação internacional e levou Israel a declarar o presidente persona non grata, gerando uma grave crise diplomática.
No campo da segurança pública, Lula afirmou, ao sancionar a Lei Antifacção em 2026, que o Brasil dava mais um passo para ser um dos países mais respeitados no crime organizado. A assessoria admitiu o equívoco: ele queria dizer no combate ao crime. Além disso, em 2025, em Jacarta, na Indonésia, declarou que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”.
Sobre a Venezuela de Maduro, Lula afirmou que “o conceito de democracia é relativo”. Também atribuiu responsabilidade à Ucrânia pela invasão russa ao seu território e manteve postura mais crítica a Israel do que ao Hamas.
Falas sobre mulheres, raça e grupos sociais
Lula colecionou declarações criticadas por diferentes grupos. Sobre mulheres, chegou a destacar que colocava Gleisi Hoffmann no ministério por ser bonita, para melhorar a relação com o Congresso. Referiu-se à diretora do FMI como “mulherzinha” e disse que mulheres sem profissão dependem do pai para comprar batom.
Em relação a raça, afirmou que “uma afrodescendente assim gosta de um batuque” e demonstrou surpresa com a presença de pessoas negras no Rio Grande do Sul. Sobre a escravidão, declarou que o Brasil tem “profunda gratidão ao continente africano por tudo o que foi produzido durante 350 anos de escravidão”. Em 2023, referiu-se a deficiências mentais como “problema de desequilíbrio de parafuso”, ao falar de violência nas escolas.
Lapsos e o cálculo eleitoral por trás da ausência
Os lapsos de memória também se tornaram frequentes. Lula chamou Janja, sua atual esposa, pelo nome de Marisa, sua falecida esposa. Confundiu Dilma Rousseff com a ex-deputada Irma Passoni e afirmou que a transposição do São Francisco beneficiaria 13 bilhões de pessoas.
Consequentemente, aliados discutem a ausência de Lula nos debates do primeiro turno. Defensores argumentam que as falas mostram autenticidade. Críticos, por outro lado, enxergam um padrão de insensibilidade. O eleitorado terá de decidir se aceita o presidente dos palanques controlados ou se exige que ele enfrente, ao vivo, o próprio histórico de declarações.
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