Um total de 32 estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) concluíram cursos de qualificação profissional em Barbeiro e Informática Básica dentro da Penitenciária Regional de Barra de São Francisco (PRBSF), no noroeste do Espírito Santo. As duas formações somaram 160 horas de carga horária e foram oferecidas por meio de uma parceria entre a Secretaria da Educação (Sedu), a Secretaria da Justiça (Sejus) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes).
Os concluintes não estavam num curso avulso: são alunos matriculados na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Governador Lindenberg, de Barra de São Francisco, que atende a EJA na unidade prisional. Participaram estudantes das 5ª a 8ª etapas da EJA do Ensino Fundamental e das 1ª a 3ª etapas do Ensino Médio.
O que significa estudar nas etapas da EJA
Na Educação de Jovens e Adultos, o percurso escolar não é contado em séries anuais, e sim em etapas, blocos mais curtos que permitem a quem parou de estudar retomar o ensino fundamental e o ensino médio sem recomeçar do zero. É por isso que uma mesma turma reúne quem está na 5ª etapa do fundamental e quem já cursa a 3ª etapa do médio.
Como a matrícula fica vinculada a uma escola estadual regular, o registro escolar é o mesmo de qualquer outro aluno da rede: quem avança dentro da unidade prisional segue avançando na mesma trajetória se for transferido ou quando deixar o presídio. A qualificação profissional entra como um acréscimo a esse percurso, e não como substituto dele.
O curso de Barbeiro: técnica, higiene e atendimento
A formação em Barbeiro tratou de técnicas de corte, higiene, atendimento ao público e noções básicas de organização do trabalho. É um conteúdo que mistura habilidade manual com rotina de serviço — a parte que costuma decidir se alguém consegue atender cliente e não só executar o corte. Segundo a Sedu, a área tem demanda no mercado de trabalho.
Eu nunca tive a chance de fazer um curso assim. Aprendi uma profissão e agora tenho esperança de construir algo melhor quando sair daqui. Foi uma oportunidade que mudou minha forma de pensar
O relato é de um dos estudantes concluintes do Curso de Barbeiro.
Informática Básica: letramento digital do teclado ao texto
A turma de Informática Básica teve como foco o letramento digital, que inclui o uso de computadores, a produção de textos, a organização de informações e a navegação segura. O termo descreve algo mais amplo do que aprender a ligar uma máquina: é conseguir usar recursos digitais para resolver tarefas do dia a dia — escrever um documento, guardar um arquivo onde ele possa ser encontrado depois, reconhecer o que é seguro clicar. A proposta, informou a Sedu, foi contribuir para o desenvolvimento de habilidades consideradas essenciais para a inserção social e profissional.
O curso de informática abriu portas que eu nem sabia que existiam. Hoje eu consigo mexer no computador, escrever um texto, organizar informações. Parece simples, mas para mim significa a chance de recomeçar
A afirmação é de um estudante da turma de Informática Básica.
Quem faz o quê na parceria
A ação reuniu três instituições, cada uma com um papel distinto:
- Sedu — a Secretaria da Educação, responsável pela rede estadual de ensino e pela oferta da EJA, à qual a EEEFM Governador Lindenberg está vinculada;
- Sejus — a Secretaria da Justiça, que administra as unidades prisionais do Estado, entre elas a Penitenciária Regional de Barra de São Francisco;
- Ifes — o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, rede federal voltada à formação técnica e profissional.
As atividades fazem parte de um conjunto de ações voltadas à ampliação do acesso à educação e à qualificação profissional de pessoas privadas de liberdade.
A parceria entre Sedu, Sejus e Ifes reafirma o compromisso das instituições com a promoção do direito à educação em todos os espaços e contextos. Iniciativas como essa reconhecem o papel transformador da escola e a importância de ações formativas que abram novos caminhos, fomentem autonomia e ampliem horizontes possíveis para aqueles que buscam reconstruir sua trajetória
A avaliação é de Mariane Luzia Follador Dominici Berger, gerente de Educação de Jovens e Adultos da Sedu.
O que fica depois da certificação
Ao contrário de uma oficina interna, o que os estudantes levam ao fim das 160 horas é um documento de conclusão: a certificação da qualificação profissional, somada ao registro das etapas cursadas na EJA. É esse par — escolaridade e curso — que pode ser apresentado depois, sem depender de quem estava presente na sala de aula.
Cada certificação entregue contribui para o fortalecimento da autonomia e para a ampliação das perspectivas de reinserção social
A avaliação é do pedagogo da unidade, Marilson Gomes Borjaille.
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