O Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, recebeu o Selo Hospital Amigo da Criança, certificação concedida pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial da União no dia 23. Com a homologação, a unidade — gerenciada pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria da Saúde (Sesa) — passa a integrar o grupo de 300 hospitais de todo o país que atingiram esse padrão de qualidade e humanização, segundo o anúncio do Governo do Estado.
O que o anúncio oficial afirma sobre o ineditismo
A divulgação do Governo do Estado apresenta o Himaba como o único hospital pediátrico do Espírito Santo a receber o Selo Hospital Amigo da Criança. Essa é a formulação usada no anúncio, e vale lê-la pelo que ela diz: a exclusividade citada é entre hospitais pediátricos capixabas, e não entre todos os hospitais do estado.
O material divulgado não informa quantos hospitais pediátricos existem no Espírito Santo, nem se unidades capixabas de outros perfis — maternidades gerais, por exemplo — já tinham a certificação. O único número de abrangência apresentado é o nacional: 300 hospitais em todo o país com o selo.
Quem concede o selo e o que foi avaliado
A certificação é promovida pelo Ministério da Saúde, e a validação só se torna oficial quando publicada no Diário Oficial da União. No caso do Himaba, o reconhecimento veio depois de um ano de checagens: ao longo de 2024, informa o Governo do Estado, o hospital passou por auditorias e avaliações que comprovaram a adoção integral de práticas humanizadas.
Os itens verificados, conforme o anúncio, foram:
- acompanhamento familiar 24 horas, ou seja, a permanência de um acompanhante junto ao paciente em tempo integral;
- respeito à mulher durante o pré-parto, o parto e o pós-parto, cobrindo as três etapas, e não apenas o momento do nascimento;
- cumprimento rigoroso da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), o conjunto de regras que disciplina como esses produtos podem ser comercializados e divulgados;
- proteção ao aleitamento materno e ao contato pele a pele, por meio do Método Canguru.
O anúncio não detalha quais exigências específicas de cada item foram cobradas na auditoria nem quem realizou as visitas de avaliação.
O repasse de R$ 246 mil e o destino do dinheiro
A certificação vem acompanhada de um repasse de R$ 246 mil do Fundo Nacional de Saúde. Pelo que informa o Governo do Estado, o recurso é destinado a fortalecer ações e serviços de média e alta complexidade no hospital — a faixa de atendimento que reúne procedimentos mais especializados, acima do atendimento básico.
Não foi divulgado prazo para o repasse, calendário de parcelas nem a lista de serviços que receberão o dinheiro dentro dessa faixa.
O que muda para quem leva um filho ao Himaba
Esta é a pergunta que o anúncio oficial não responde. O texto divulgado não descreve nenhuma mudança de rotina, de fluxo de atendimento ou de acesso a partir da certificação. Pela lógica do processo descrito, o selo reconhece práticas que o hospital já vinha adotando e que foram auditadas ao longo de 2024 — não anuncia serviços novos a partir de agora.
Na prática, o que a família encontra descrito são as rotinas listadas na avaliação: acompanhante em tempo integral, incentivo ao aleitamento e ao contato pele a pele desde os primeiros momentos e restrições à divulgação de fórmulas e alimentos infantis dentro da unidade, previstas na NBCAL. Qualquer efeito além disso não foi detalhado.
A rotina que a equipe diz ter construído
A fisioterapeuta Priscila Dutra, referência em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica, descreve o trabalho feito dentro do hospital para chegar à certificação:
Organizamos uma verdadeira força-tarefa para fortalecer a cultura de promoção do aleitamento materno e o contato pele a pele, por meio do Método Canguru. Para manter e ampliar essa cultura de proteção e incentivo ao aleitamento, temos investido no treinamento das equipes e na orientação das famílias, o que é essencial para garantir o sucesso do aleitamento materno
O relato é de Priscila Dutra. O Método Canguru aparece no anúncio associado ao contato pele a pele entre o bebê e a família; o texto oficial não descreve o protocolo nem os critérios de indicação.
A pediatra Racire Sampaio Silva, membra da Comissão de Aleitamento Materno do Himaba e presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Espiritossantense de Pediatria (SOESPE), associa o resultado a duas décadas de trabalho da equipe. A diretora assistencial, Dra. Vanuza Guasti, liga o selo à proteção do aleitamento materno e lembra que a maternidade é uma porta de entrada importante da unidade.
Quase um ano entre a avaliação e a homologação
O intervalo entre o fim das avaliações e a publicação no Diário Oficial da União é mencionado pela própria direção do hospital:
Após quase um ano de espera pela homologação, receber o Selo IHAC confirma o que vivemos todos os dias: o HIMABA é um hospital que cuida com o coração. É um marco na história da saúde pública capixaba
A declaração é do diretor-geral, Cláudio Amorim. Segundo o anúncio, ele e o diretor técnico, Emílio Mameri, avaliam que o selo representa mais do que um reconhecimento institucional. O tempo citado ajuda a situar a notícia: a certificação não decorre de uma medida tomada agora, e sim da conclusão de um processo iniciado antes, cuja etapa final foi a publicação oficial.
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