Funcionário de escola é preso em Anchieta por pedir fotos íntimas — Direto Notícias

Funcionário de escola é preso em Anchieta por pedir fotos íntimas

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu, na tarde de terça-feira (04), um funcionário de uma escola de Anchieta, de 31 anos, investigado por solicitar imagens íntimas de alunos mediante pagamento em dinheiro, feito por PIX. Ele foi localizado em um distrito do município. Até o momento, dez estudantes foram identificados como possíveis vítimas. A prisão é temporária: uma medida da fase de investigação, não uma condenação.

O caso foi conduzido pelo Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam) de Anchieta, com apoio do Núcleo de Repressão a Entorpecentes e a Homicídios (NREH), também de Anchieta. A apuração começou depois que a própria escola percebeu a situação e comunicou o fato à Polícia Civil.

Da comunicação da escola ao mandado cumprido, cinco dias

As investigações tiveram início na quinta-feira (30), logo após o aviso da escola. Com os elementos reunidos, a delegacia representou à Justiça pela prisão temporária e pela busca e apreensão domiciliar. A decisão judicial que deferiu a prisão temporária foi proferida na segunda-feira (03), e o mandado foi cumprido no dia seguinte, terça-feira (04).

O caso chegou até a delegacia, por meio da própria escola. Assim, iniciaram-se as investigações e, com os elementos colhidos, foi possível representar tanto pela prisão temporária quanto pela busca e apreensão domiciliar. O mandado foi expedido e cumprido ainda na terça-feira (04). No momento da captura, o investigado não ofereceu resistência e confessou que já havia solicitado imagens dos alunos mediante pagamento em dinheiro

A explicação é da delegada Luiza Jacob, titular do Neam de Anchieta.

O que uma prisão temporária decide e o que ela não decide

Vale entender a diferença, porque ela muda o significado da notícia. A prisão temporária é autorizada pela Justiça a pedido da autoridade que investiga e vale por prazo determinado, com uma finalidade específica: permitir que a apuração avance sem ser prejudicada. Ela não antecipa pena e não declara ninguém culpado. Vencido o prazo, a pessoa é solta, salvo se houver nova decisão judicial em outro sentido.

Por isso o termo correto, nesta fase, é investigado ou suspeito. O inquérito segue aberto; quando for concluído, o órgão de acusação decide se apresenta ou não a denúncia à Justiça. Só ao fim de um processo, com direito a defesa, é que pode haver condenação. Já a busca e apreensão domiciliar, pela qual a delegacia também representou, serve para recolher material capaz de comprovar ou de afastar o que se apura, sobretudo aparelhos e registros de conversas.

Dez alunos identificados, e a delegada diz que o número pode crescer

As apurações indicam, até agora, que o investigado manteve contato com pelo menos dez alunos da escola, com idades entre 13 e 15 anos. A titular do Neam afirma que esse total ainda não é definitivo.

Pode ser que haja novas vítimas, e é por isso que as investigações continuam, para tentar identificar o máximo de vítimas possível e, assim, concluir o inquérito

A afirmação é da delegada Luiza Jacob.

Os nomes dos envolvidos e o bairro onde o fato foi registrado não estão sendo divulgados, para preservar a identidade das vítimas, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad). A escola também não é identificada: em um município do porte de Anchieta, nomear a instituição equivaleria a apontar quem são os alunos envolvidos.

O alerta às famílias e os sinais que dá para perceber

Aqui fica o alerta para todas as escolas e pais: esse tipo de situação pode ocorrer. É importante manter-se vigilante e prestar atenção nas crianças e adolescentes. Ressalto o papel fundamental da escola, que, com um olhar atento e uma atuação extremamente vigilante, conseguiu identificar a situação e rapidamente informar à Polícia Civil, possibilitando o início imediato das investigações. Também é importante destacar que a Polícia Civil do Espírito Santo, especialmente no município de Anchieta, está preparada para esse tipo de situação e pronta para uma atuação rápida e eficaz

O complemento é da delegada Luiza Jacob.

O aliciamento de crianças e adolescentes pela internet raramente começa por um pedido direto. Costuma começar por aproximação e conversa, ganha intimidade e só depois avança. Alguns sinais que pais, responsáveis e educadores conseguem observar sem revistar ninguém:

  • Dinheiro ou presentes sem explicação. Transferências recebidas, recargas, créditos em jogos ou objetos novos que ninguém sabe de onde vieram. Neste caso de Anchieta, segundo a investigação, o pagamento era o instrumento da abordagem.
  • Um adulto que insiste em contato reservado. Conversa direta, fora dos canais e dos grupos oficiais, e o pedido para que aquilo fique entre os dois.
  • Mudança brusca no uso do aparelho. Tela virada quando alguém se aproxima, conversas encerradas de repente, senhas trocadas, aplicativo novo que a família não conhece.
  • Mudança de comportamento. Retraimento, irritação fora do comum, queda no rendimento escolar, alteração de sono ou de apetite, recusa súbita de ir a um lugar ou de encontrar determinada pessoa.
  • Desconforto com o assunto. Reação desproporcional quando internet, fotos ou privacidade entram na conversa.

Nenhum sinal isolado prova alguma coisa. O que pede atenção é o conjunto e, principalmente, a mudança: o que era rotina deixou de ser.

Por que a criança quase nunca conta em casa

É a dúvida mais comum de quem descobre um caso assim, e a resposta ajuda a reagir melhor. O silêncio quase nunca é falta de confiança nos pais.

O adulto que alicia costuma construir, desde o começo, a ideia de segredo compartilhado: se a criança aceitou conversar, aceitou um valor ou já enviou algo, ela passa a se sentir cúmplice do que aconteceu, e não vítima. A partir daí, contar deixa de parecer um pedido de socorro e passa a parecer uma confissão de culpa.

Somam-se a isso três medos concretos: o de não ser acreditada, especialmente quando o adulto é conhecido e ocupa uma posição de respeito; o de ser culpada e punida por ter respondido; e o de perder o celular e o acesso à internet como consequência de ter falado. Para um adolescente, essa última perda pode pesar mais do que o próprio abuso.

Por isso a primeira frase de quem recebe a revelação importa tanto. Acreditar, dizer com todas as letras que a culpa não é da criança e não tomar o aparelho como castigo é o que mantém o canal aberto. Perguntar quantas vezes aconteceu, por que não contou antes ou por que respondeu tende a fechá-lo de vez.

O que fazer ao descobrir, e para onde ligar

  • Preserve as conversas. Não apague nada e não peça para a criança apagar. Mensagens, perfis, comprovantes de transferência, horários e o próprio aparelho são a prova do que aconteceu.
  • Não confronte o suspeito. Avisar a pessoa investigada dá a ela tempo de apagar o material, sumir com o aparelho e pressionar a criança a mudar a versão. O confronto atrapalha a apuração em vez de resolvê-la.
  • Não interrogue a criança repetidas vezes. Ouça o que ela quiser contar, sem insistir em detalhes. Repetir o relato muitas vezes machuca de novo, e a autoridade tem procedimento adequado para colher esse depoimento.
  • Registre ocorrência. Procure uma delegacia, de preferência uma unidade especializada no atendimento a mulheres, crianças e adolescentes, como o núcleo que atuou neste caso. Leve o que foi preservado.
  • Avise a escola. Se o contato ocorreu no ambiente escolar ou envolve alguém ligado à instituição, comunicar permite proteger outros alunos. Foi exatamente isso que deu início à investigação em Anchieta.

Os canais de atendimento funcionam em paralelo, e nenhum deles substitui o registro da ocorrência:

  • 190, para emergência, quando há risco imediato.
  • Disque 100, canal nacional para denunciar violações de direitos de crianças e adolescentes. A denúncia pode ser anônima.
  • 181, o Disque-Denúncia, também anônimo, para repassar informações que ajudem uma investigação.
  • Conselho Tutelar do município, que pode ser acionado diretamente pela família ou pela escola e atua na proteção da criança independentemente do andamento do caso na polícia.

O caso de Anchieta segue sob investigação da Polícia Civil do Espírito Santo, e o inquérito ainda não foi concluído.

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