Concurso do Ministério da Defesa e Capes premia seis pesquisas

O Concurso de Dissertações e Teses sobre Defesa Nacional, promovido pelo Ministério da Defesa em parceria com a Capes, premiou seis pesquisadores em cerimônia realizada em Brasília. Concorreram 103 dissertações de mestrado e 78 teses de doutorado, inscritas por instituições de todo o país. As informações constam da divulgação feita pelo próprio Ministério da Defesa, que organiza o concurso.

A premiação separa os trabalhos em duas categorias, com três colocados em cada uma, e paga valores diferentes conforme o grau acadêmico. A distinção não é detalhe de formulário: dissertação é o trabalho final apresentado no mestrado, enquanto tese é o exigido no doutorado, etapa mais longa e com exigência de contribuição inédita. Por isso os dois grupos disputam separadamente.

Quem venceu e quanto cada trabalho recebeu

Na categoria mestrado, os três premiados foram:

  • 1º lugar — Osmany Barros de Freitas, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica: R$ 10 mil;
  • 2º lugar — Paulo César Marciano, do Instituto Militar de Engenharia: R$ 8 mil;
  • 3º lugar — Franco Corrêa, também do Instituto Tecnológico de Aeronáutica: R$ 6 mil.

Na categoria doutorado:

  • 1º lugar — Sophia Laranja, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica: R$ 15 mil;
  • 2º lugar — André Mendonça, da Universidade Federal de Viçosa: R$ 12 mil;
  • 3º lugar — Paola Delben, da Universidade Federal de Santa Catarina: R$ 10 mil.

Três dos seis trabalhos premiados saíram da mesma instituição, o ITA, que emplacou o primeiro e o terceiro lugares do mestrado e o primeiro do doutorado. As demais colocações ficaram com o Instituto Militar de Engenharia e com duas universidades federais. A lista de premiados, portanto, mistura instituições militares e universidades civis, as duas frentes que o concurso se propõe a reunir.

Note que a premiação de doutorado começa em R$ 15 mil e termina em R$ 10 mil, mesmo valor pago ao primeiro colocado do mestrado. O último lugar do doutorado, portanto, recebe o equivalente ao topo da outra categoria.

O que a comissão julgadora levou em conta

Segundo o material divulgado, a avaliação considerou a relevância do tema para a segurança nacional, o rigor metodológico e a aplicabilidade prática do trabalho. Também pesaram originalidade, clareza e objetividade.

Na prática, isso significa que não bastava um estudo bem escrito: o critério de aplicabilidade privilegia pesquisa que possa sair do papel, e o de relevância temática exige que o objeto converse com as prioridades de defesa do país. São dois filtros que costumam eliminar trabalhos tecnicamente sólidos, porém distantes do tema do certame.

O que a divulgação não informa

O material sobre a premiação não traz os títulos dos trabalhos vencedores nem descreve o objeto de cada pesquisa, de modo que não é possível dizer aqui sobre o que tratam as dissertações e as teses laureadas. Também não constam a composição da comissão julgadora nem a forma de pagamento dos valores.

Há ainda um ponto que fica em aberto. O representante da Capes, professor Luiz Antônio Pessan, apontou crescimento expressivo do número de inscrições em relação à edição anterior — mas a divulgação não informa quantos trabalhos concorreram naquela edição. Sem esse número, os 103 e os 78 desta rodada não têm com o que ser comparados, e o tamanho do crescimento não pode ser verificado por quem lê.

O Almirante Guilherme da Silva Costa afirmou que a continuidade do concurso reafirma o compromisso estatal com a valorização da pesquisa acadêmica. Vale registrar de onde vem o material: trata-se de comunicação institucional do órgão que promove o prêmio, e não de avaliação externa e independente sobre os trabalhos escolhidos.

Concurso é bienal e a parceria vem de 2025

Realizado a cada dois anos, o certame estimula estudos relacionados à Política Nacional de Defesa e aos projetos estratégicos das Forças Armadas. O intervalo importa para quem pretende concorrer: um mestrando ou doutorando que só defenda o trabalho depois da chamada atual terá uma janela de dois anos até a próxima abertura de inscrições — prazo suficiente para concluir a pesquisa, mas que também impede quem perde a data de tentar no ano seguinte.

A aproximação entre as duas instituições responsáveis pelo concurso foi formalizada meses antes desta premiação: em maio de 2025, Defesa e Capes firmaram a parceria para a realização dos concursos de dissertações e teses sobre Defesa Nacional, acordo que sustenta a edição agora concluída.

Para quem estuda o tema, o caminho prático é acompanhar os canais oficiais do Ministério da Defesa e da Capes, onde os editais das próximas edições costumam ser publicados com as regras de inscrição, os prazos e as exigências de formato de cada categoria.

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