O submarino Almirante Karam (S43) foi lançado ao mar no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, na quarta-feira (26), em cerimônia do Programa de Desenvolvimento de Submarinos que reuniu autoridades civis e militares. O mesmo evento marcou a mostra de armamento do submarino Tonelero (S42). A solenidade foi conduzida pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro.
Apesar de acontecerem no mesmo dia, as duas etapas dizem respeito a estágios diferentes. O Tonelero já havia sido incorporado à Força de Submarinos, depois de concluir testes operacionais. O Almirante Karam, não: pelo que foi informado na cerimônia, ele ainda passará por avaliações de propulsão e de sistemas de combate antes da incorporação definitiva.
Lançamento ao mar não é entrega nem entrada em serviço
O lançamento ao mar é o momento em que o casco deixa o estaleiro e toca a água pela primeira vez. É uma etapa intermediária, não o fim da construção. Depois dela vêm os ensaios com o navio já flutuando, as provas de mar e a verificação dos sistemas embarcados — e só ao final desse percurso o submarino é incorporado, ou seja, formalmente aceito e disponibilizado para emprego pela força.
Na prática, isso significa que o Almirante Karam esteve na água pela primeira vez naquele dia, mas não estava em condição de ser empregado em operação. A distinção importa porque, em programas navais, o intervalo entre o lançamento e a incorporação costuma se contar em meses ou anos, conforme o resultado das avaliações. Nenhum prazo para a conclusão dessas avaliações foi divulgado na cerimônia, nem data prevista para a incorporação.
As medidas dos dois submarinos da Classe Riachuelo
Os dois navios pertencem à Classe Riachuelo. As dimensões informadas foram:
- Tonelero (S42): 70 metros de comprimento e deslocamento submerso de 1.870 toneladas. Já incorporado à Força de Submarinos após testes operacionais.
- Almirante Karam (S43): 72 metros de comprimento e 2 mil toneladas. Lançado ao mar, ainda pendente de avaliações de propulsão e de sistemas de combate.
Deslocamento submerso é a medida de massa de água que o submarino desloca quando está inteiramente sob a superfície — é o número usado para comparar o porte desse tipo de embarcação, no lugar do peso do casco vazio.
O submarino de propulsão nuclear segue em desenvolvimento
Durante o evento, o ministro reafirmou o compromisso do governo com o desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto. Trata-se de um projeto distinto dos da Classe Riachuelo e em fase anterior: ele não foi lançado ao mar nem incorporado. Propulsão nuclear diz respeito à fonte de energia que move o navio, não a armamento nuclear embarcado.
Também nesse caso, o material divulgado não traz prazo de conclusão, custo estimado, etapa atual da construção nem data prevista para o lançamento.
O que o número de US$ 3 bilhões mede — e o que ele não mede
Mucio citou o desempenho da Base Industrial de Defesa: em 2025, o setor teria ultrapassado US$ 3 bilhões em exportações autorizadas de produtos militares. Vale ler o dado pelo recorte que ele tem. Exportação autorizada é a permissão concedida para a venda ao exterior, e não necessariamente negócio fechado, embarcado ou pago no mesmo ano.
O número também é do setor de defesa como um todo, e não do programa de submarinos. Ele não informa quanto custou a construção do Tonelero ou do Almirante Karam, quanto ainda falta desembolsar até a incorporação, nem qual a participação do programa naval nesse total. A afirmação de que a atividade gerou empregos foi feita sem número.
Plataforma continental: o que o reconhecimento amplia
O Comandante da Marinha, Almirante Marcos Sampaio Olsen, citou o reconhecimento, pela Comissão de Limites da ONU, da expansão da plataforma continental brasileira. Plataforma continental é o prolongamento do território por baixo do mar: o reconhecimento diz respeito ao leito e ao subsolo marinhos e aos recursos ali existentes, e não à água acima deles nem ao espaço aéreo.
É por esse conjunto de áreas marítimas que circula a expressão Amazônia Azul, usada para designar a extensão de mar sob jurisdição brasileira. Segundo o comandante, junto com a área ampliam-se as responsabilidades de proteção e de uso sustentável desses recursos.
O batismo e o que ficou de fora do balanço
A ministra do STF Carmen Lúcia batizou o Almirante Karam, cumprindo a tradição naval em que uma madrinha marca o lançamento da embarcação. É um ato cerimonial, sem efeito sobre o estágio técnico do navio.
Ao fim do evento, seguiram sem divulgação alguns dados que permitiriam dimensionar o programa: o custo total já executado, o cronograma até a última unidade prevista, quantos submarinos ainda serão construídos na série e os prazos de incorporação do Almirante Karam e de lançamento do Álvaro Alberto.
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