Cães e gatos no calor: os sinais de alerta e como agir em casa

O calor intenso não é só desconforto para cães e gatos: pode terminar em atendimento de emergência. Segundo o médico-veterinário Gleison Mota Ribeiro, do Hospital Veterinário Taquaral, em Campinas (São Paulo), as altas temperaturas podem desencadear hipertermia, desidratação, queimaduras nas patas, problemas respiratórios — especialmente em raças braquicefálicas — e até exaustão por calor.

Esses quadros são frequentes quando faltam cuidados básicos, e por isso a orientação central é simples: reduzir a exposição ao sol, oferecer conforto e agir rapidamente diante de qualquer sinal de perigo. Nenhuma das medidas de prevenção exige equipamento caro. O que muda é o horário do passeio, a quantidade de bebedouros pela casa e a temperatura do ambiente.

Do desconforto à emergência: os riscos que o calor traz

Os problemas que o veterinário associa às altas temperaturas se concentram em quatro quadros:

  • Hipertermia — a temperatura do corpo sobe acima do normal; é condição grave e pode ser fatal;
  • Desidratação — a perda de líquido compromete funções vitais do organismo;
  • Queimaduras nas patas — ocorrem principalmente quando o animal caminha em superfícies muito quentes;
  • Exaustão por calor — em geral associada aos fatores acima.

Os problemas respiratórios entram na conta sobretudo nos animais de focinho achatado, as chamadas raças braquicefálicas, que têm vias aéreas mais estreitas.

Os sinais de alerta e o que fazer quando eles aparecem

Para identificar cedo que algo não vai bem, Ribeiro destaca sinais que devem acender o alerta imediato: respiração ofegante intensa, salivação excessiva, língua muito avermelhada, vômitos ou diarreia, fraqueza, desorientação ou tremores e temperatura corporal elevada. Nos casos mais graves, o quadro pode chegar a convulsões e perda de consciência.

Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é interromper as atividades, levar o animal para um local fresco, oferecer água e procurar atendimento veterinário — sem tentar soluções caseiras.

A dúvida mais comum de quem convive com cães e gatos é separar o cansaço normal do risco real. O cansaço comum costuma surgir depois de esforço e não vem acompanhado de sinais intensos como salivação exagerada, tremores, desorientação ou convulsões; se o animal se recupera rápido, é provável que apenas tenha se esforçado demais. Já respiração muito ofegante, vômito ou diarreia mudam a leitura: nesse ponto, a recomendação é parar tudo na hora, levar o animal para um lugar fresco, oferecer água e buscar o veterinário.

Hidratação em primeiro lugar: bebedouros espalhados e comida úmida

A hidratação é a prioridade da prevenção. Espalhar bebedouros por diferentes cômodos, manter a água sempre limpa e oferecer cubos de gelo aos cães ajudam a estimular o consumo ao longo do dia — quanto mais fácil o acesso, menos o animal depende de lembrar de procurar água.

Os gatos têm exigências próprias. Os felinos costumam preferir fontes de água corrente ou recipientes de cerâmica e vidro, desde que posicionados longe da caixa de areia. A alimentação úmida, quando recomendada pelo médico-veterinário, também ajuda no aporte hídrico — é ração ou patê com alta proporção de água, que faz o animal ingerir líquido junto com a refeição.

Casa arejada e ar-condicionado entre 22°C e 26°C

O ambiente interno precisa ser arejado e seguro. Janelas teladas permitem circulação de ar sem risco de queda ou fuga, especialmente em apartamento. Ventiladores podem ser usados com cuidado, e o ar-condicionado é bem-vindo quando mantido entre 22°C e 26°C, com duas condições: o animal precisa poder circular livremente pelo espaço e ter água disponível.

Circular livremente é o detalhe que costuma passar batido. O objetivo não é congelar o cômodo, e sim permitir que o próprio animal escolha onde ficar, se aproximando ou se afastando da corrente de ar conforme sente necessidade. Tapetes gelados, pisos cerâmicos e mantas térmicas completam o kit, oferecendo superfícies frias para o corpo se apoiar.

Passeio antes das 9h ou depois das 18h — e o teste do dorso da mão

Os passeios devem ser feitos preferencialmente antes das 9h ou após as 18h. Fora dessa janela, o asfalto acumula calor mesmo quando o ar já parece mais ameno, e é a pata do animal que encosta nele.

Existe um teste rápido para decidir na porta de casa: pressione o dorso da mão contra o asfalto. Se a superfície queimar a sua pele, também queimará as patas do animal. Vale usar o dorso e não a palma, que é mais calejada e engana. Em locais de forte incidência solar, a orientação é buscar sombra, oferecer água e reduzir o tempo de permanência ao ar livre.

Pugs, buldogues e persas: por que o risco é maior

Raças braquicefálicas, como pugs, buldogues e persas, merecem atenção redobrada: apresentam vias aéreas estreitas e maior risco de superaquecimento. O detalhe importa porque cães e gatos não transpiram pelo corpo como as pessoas — a respiração ofegante é parte de como perdem calor, e um focinho achatado torna essa troca menos eficiente.

Nesses casos, o ideal é evitar qualquer esforço nos horários quentes, manter o peso adequado e interromper a atividade ao primeiro sinal de cansaço ou dificuldade respiratória — sem esperar o quadro piorar.

Gatos escolhem o próprio frescor quando têm opção

Os gatos buscam naturalmente superfícies frias e locais elevados. A tarefa de quem cuida é oferecer alternativas: camas em áreas arejadas, mantas geladas e caixas bem ventiladas criam refúgios mais frescos dentro de casa. Prateleiras e móveis altos com boa circulação de ar completam o arranjo.

A lógica é dar variedade de temperatura em pontos diferentes da casa, para que o felino alterne posições e escolha o lugar mais confortável conforme o dia esquenta ou esfria. Vale lembrar que o ar-condicionado não é obrigatório: um ambiente com boa ventilação e janelas teladas pode cumprir o papel.

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